O que todo homem precisa saber sobre nutrição e câncer de próstata

Você tem cuidado da saúde ou só se preocupa com ela quando algo parece errado? Pois é. O Novembro Azul é um convite para olhar com mais atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata, um dos tipos de câncer mais frequentes entre os homens no Brasil, além de ser uma ótima oportunidade para destacar um cuidado fundamental nesse processo: a nutrição.
“No mês de conscientização sobre a saúde masculina, falar sobre câncer de próstata também é falar sobre prevenção, diagnóstico precoce e cuidado integral. E a nutrição faz parte dessa abordagem”, afirma a nutricionista Maria Gabriela Colares, especializada em nutrição oncológica pelo Hospital Israelita Albert Einstein-SP.

Quando se fala em câncer de próstata, a idade, histórico familiar e fatores relacionados ao estilo de vida estão entre os aspectos que merecem atenção. Sintomas como dificuldade para iniciar ou manter o fluxo urinário, diminuição do jato de urina, necessidade de urinar com maior frequência (especialmente à noite) e presença de sangue na urina ou no sêmen exigem avaliação médica. Como a doença pode não apresentar sintomas em sua fase inicial, consultas periódicas com um urologista ajudam a avaliar a necessidade de exames de rastreamento. Já a nutrição atua como suporte ao cuidado integral do paciente em diferentes etapas.

Como informa a nutricionista, não existe um alimento específico capaz de prevenir o câncer de próstata e nenhum alimento isolado consegue eliminar o risco da doença. A alimentação, porém, faz parte de um conjunto de hábitos relacionados à saúde e à prevenção do câncer. “Um padrão alimentar baseado principalmente em frutas, verduras, legumes, cereais integrais e outros alimentos minimamente processados, associado à atividade física, manutenção do peso e menor consumo de bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados, contribui para um estilo de vida mais saudável”, conta Maria Colares, lembrando que o excesso de gordura corporal também está associado a maior risco de formas mais avançadas de câncer de próstata. “Por isso, prevenção não é procurar um alimento milagroso. É cuidar do conjunto”.

E onde entra a nutrição depois do diagnóstico?

Quando o câncer é diagnosticado, a alimentação passa a fazer parte de um cuidado ainda mais individualizado. De acordo com Maria Colares, o paciente oncológico não deve ser visto apenas pelo diagnóstico ou pelo número que aparece na balança. “O tratamento pode provocar mudanças no apetite, na ingestão alimentar, no peso, na composição corporal e na tolerância a determinados alimentos. Nesse contexto, o acompanhamento nutricional pode ajudar a adaptar a alimentação à condição clínica, ao tratamento realizado e às necessidades de cada momento”.

A nutrição, segundo ela, também pode atuar no manejo de sintomas e efeitos relacionados aos tratamentos, ajustando a alimentação de acordo com o que o paciente está vivenciando. “Alterações no apetite, náuseas, alterações intestinais, mudanças no paladar e outras dificuldades alimentares podem exigir estratégias individualizadas para manter uma alimentação adequada durante o tratamento”, ressaltou.

Maria Gabriela Colares – Nutricionista Clínica & Oncológica – Especializada em Nutrição em Oncologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein-SP

Preservar a massa muscular também é cuidar da saúde

Segundo Maria Colares, durante o tratamento oncológico, olhar apenas para o peso pode não ser suficiente. Um paciente pode apresentar pouca alteração na balança e, ainda assim, passar por mudanças importantes na quantidade de massa muscular e gordura corporal. “Esse cuidado merece atenção especialmente em pacientes submetidos à terapia de privação androgênica, utilizada em determinados casos de câncer de próstata, que pode estar associada a alterações na composição corporal e no metabolismo”, diz a especialista. “A nutrição, em conjunto com a prática de atividade física quando indicada pela equipe responsável, pode contribuir para o cuidado da composição corporal e da saúde metabólica. O objetivo não é simplesmente fazer o paciente perder ou ganhar peso, mas entender o que o organismo está vivenciando e adequar a alimentação àquela fase do tratamento”.

Nutrição não substitui o tratamento do câncer

Maria Colares frisa outro aspecto essencial sobre o tema. “É importante deixar claro: nenhum alimento, chá, suplemento ou dieta substitui o tratamento oncológico. A nutrição atua como parte do cuidado integral, trabalhando de acordo com o estado nutricional, o tratamento proposto, os sintomas, a rotina e as necessidades individuais do paciente. Em alguns momentos, a prioridade pode ser manter a ingestão alimentar e preservar a massa muscular. Em outros, pode ser necessário manejar sintomas, adaptar consistências, reorganizar refeições ou trabalhar mudanças metabólicas relacionadas ao tratamento. Por isso, não existe uma única estratégia nutricional para todos os pacientes com câncer de próstata”, disse.

A nutricionista ressalta ainda que o fim do tratamento não significa o fim do acompanhamento. “O período após o tratamento também pode envolver mudanças de peso, composição corporal, alimentação, atividade física e saúde metabólica. O cuidado nutricional continua fazendo parte dessa nova fase, acompanhando essas mudanças e ajudando o paciente a construir uma alimentação adequada, possível e sustentável para sua rotina”.

Tudo isso comprova como o Novembro Azul é uma grande oportunidade de incentivar o homem a olhar para a própria saúde, não ignorar mudanças e buscar avaliação quando necessário. “E, quando existe um diagnóstico, devemos lembrar que por trás do tumor existe uma pessoa, com uma rotina, preferências, sintomas, necessidades e uma vida que continua acontecendo. A nutrição não substitui o tratamento oncológico. Ela faz parte do cuidado integral do paciente”.