Com a chegada do calor, sintomas como inchaço, sensação de peso e desconforto nas pernas podem se tornar mais evidentes. Para pacientes com lipedema, alterações vasculares, linfáticas e para quem está se preparando para uma cirurgia plástica ou em recuperação, a atenção deve ir além dos cuidados estéticos.
A fisioterapeuta Dra. Flávia Miranda, especialista em fisioterapia pré, intra e pós-operatória e reabilitação vascular, explica que reconhecer as necessidades de cada paciente é fundamental para definir a assistência mais adequada. “O inchaço não deve ser tratado de maneira igual em todas as pessoas. É preciso compreender sua origem, avaliar os sintomas e identificar quais intervenções são realmente indicadas para cada caso”, destaca.
Segundo a especialista, o planejamento fisioterapêutico pode começar antes do procedimento, com orientações sobre recuperação, avaliação das condições funcionais e esclarecimento das etapas esperadas no pós-operatório. “Depois de uma cirurgia, o edema faz parte da resposta do organismo ao trauma cirúrgico. A fisioterapia permite avaliar essa evolução e estabelecer condutas específicas para cada paciente”, explica Dra. Flávia, lembrando que a recuperação não se resume à redução do inchaço. “Alterações na mobilidade dos tecidos, fibroses, aderências e limitações funcionais também podem exigir atenção. Por isso, a fisioterapia vai além da drenagem linfática: envolve avaliação contínua e seleção criteriosa de recursos terapêuticos, em articulação com a equipe médica responsável. Cada cirurgia apresenta particularidades, e o tratamento precisa acompanhar essas diferenças”, ressalta.
Calor, edema e alterações vasculares
Segundo Dra. Flávia, o verão também exige atenção de quem convive com alterações do sistema circulatório e linfático. Afinal, as temperaturas elevadas podem acentuar a sensação de peso e o inchaço em algumas pessoas. No linfedema, o acúmulo de líquido nos tecidos está relacionado a alterações do sistema linfático. O tratamento pode incluir drenagem linfática manual, exercícios terapêuticos, compressão e outros recursos, conforme a avaliação do paciente. “Não basta escolher uma técnica e aplicá-la. É necessário avaliar o edema, a condição da pele, a mobilidade, os sintomas e as possíveis contraindicações. Até mesmo os dispositivos de compressão pneumática precisam de orientação profissional”, alerta a especialista.
Outro tema importante é o lipedema, condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de tecido adiposo, geralmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços. A condição pode estar associada a dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso e hematomas frequentes, com repercussões que vão além da aparência física. “A abordagem deve considerar os sintomas, as limitações funcionais e os objetivos de cada paciente. Exercícios terapêuticos e recursos complementares podem ser incorporados quando houver indicação clínica”, disse.
O tratamento do lipedema, segundo Dra. Flávia, não deve se limitar à tentativa de diminuir medidas ou reduzir o inchaço. “Precisamos considerar a dor, a funcionalidade, a tolerância ao exercício e o impacto da condição na qualidade de vida. A escolha dos recursos deve ser individualizada e fazer parte de um plano de cuidado coerente com as necessidades da paciente”, explica a especialista, ressaltando que a fisioterapia também pode integrar o cuidado de pessoas com varizes e insuficiência venosa, contribuindo para o manejo de sintomas e a melhora da função, conforme o quadro clínico. “A avaliação é importante para identificar quando os sintomas exigem investigação médica e para definir as condutas mais apropriadas”.
Dra. Flávia alerta que o verão pode ser uma oportunidade para observar os sinais do próprio corpo, mas o cuidado com a saúde não deve se restringir à estação. Para informações sobre o atendimento fisioterapêutico, entre em contato pelo telefone (22) 98141-6476.
