O erro silencioso que pode comprometer a saúde masculina

Durante o mês de novembro, muitos homens vão se deparar com ações de conscientização sobre o câncer de próstata, que reforçam a importância do diagnóstico precoce no enfrentamento à doença. Mas a campanha Novembro Azul também abre espaço para alertar o público masculino sobre outros problemas de saúde que exigem atenção e acompanhamento. Para saber quais são eles, fomos até a Clínica Santa Maria e conversamos com o médico urologista Dr. Douglas Gregório, que explicou como o acompanhamento urológico pode contribuir para melhorar a qualidade de vida dos homens.

Mania de Saúde – Mesmo com tanta conscientização sobre o câncer de próstata, ainda há pacientes que negligenciam o rastreamento? Quando ele deve ser realizado?

Dr. Douglas Gregório – Alguns homens demoram a procurar o urologista, o que acaba retardando o diagnóstico. Há aqueles que fazem o PSA por conta própria e acreditam que isso é suficiente, quando, na verdade, não é. Um resultado normal de PSA, isoladamente, não exclui a possibilidade de câncer de próstata. Daí a importância da avaliação médica, que pode incluir a associação entre o PSA e o toque retal, conforme a indicação para cada paciente.

Caso haja alguma alteração, prosseguimos com a investigação por meio de outros exames, como ressonância magnética, biópsia, entre outras abordagens mais complexas. É importante ficar atento à idade recomendada para iniciar essa avaliação. Homens com histórico familiar de câncer de próstata, especialmente no pai ou no irmão, ou homens afrodescendentes devem começar a avaliação aos 45 anos. Aqueles que não apresentam nenhuma dessas condições devem iniciá-la aos 50 anos.

Mania de Saúde – Além do câncer, o que mais deve ser avaliado na próstata?

Dr. Douglas Gregório – Outro exame que pode ser realizado é a ultrassonografia da próstata, mas não com o objetivo de detectar o câncer. A finalidade é avaliar o tamanho da glândula e verificar se um eventual aumento pode ter provocado repercussões no trato urinário inferior.
O aumento benigno da próstata, conhecido como hiperplasia prostática benigna (HPB), é uma condição que, apesar de não ser maligna, pode causar consequências significativas quando não tratada, como infecções urinárias, cálculos na bexiga e retenção urinária, entre outras complicações.

Mania de Saúde – Por que os homens deveriam procurar mais o urologista?

Dr. Douglas Gregório Camilo Silva Urologista, especializado em saúde urinária e reprodutiva

Dr. Douglas Gregório – A urologia é uma especialidade que cuida tanto do aparelho reprodutor masculino — testículos, próstata e pênis — quanto do tratamento cirúrgico de doenças do aparelho urinário, abrangendo homens e mulheres. Assim, rins, ureteres e bexiga são órgãos cujas doenças podem exigir tratamento cirúrgico de competência do urologista.

Várias doenças podem acometer os homens ao longo da vida. Entre as condições mais comuns no consultório estão as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e os cálculos renais.
Na minha prática, tenho ênfase no atendimento à infertilidade masculina, uma condição bastante comum. No entanto, muitos homens acabam não procurando ajuda por acreditarem que a fertilidade é uma questão que compete apenas à mulher. Isso, porém, é um mito.

Em cerca de 30% dos casos, os fatores de infertilidade são exclusivamente masculinos; em outros 30%, exclusivamente femininos; enquanto nos 40% restantes, estão presentes em ambos. Portanto, considerando os fatores envolvidos, a contribuição masculina está presente em aproximadamente metade dos casos. Além disso, a infertilidade acomete cerca de 18% dos casais, o que significa que quase um em cada cinco pode enfrentar esse problema.

Entre as causas de infertilidade masculina, uma das mais comuns e tratáveis é a varicocele, caracterizada pela dilatação das veias que drenam o sangue dos testículos. Cerca de 15% a 20% dos homens apresentam essa alteração, mas nem todos precisam de tratamento. Por isso, é fundamental realizar uma avaliação individualizada para determinar a necessidade de intervenção em cada caso. Seu tratamento é cirúrgico e a técnica com melhores resultados exige uso de microscópio cirúrgico, podendo ser ainda aprimorada com o uso de doppler microvascular intraoperatório.