Andréa Muniz

Publisher, empresária da comunicação, jornalista, engenheira de produção. Com experiência de 25 anos à frente do Mania de Saúde.
Andréa Muniz

A vida ainda pode nos surpreender

Essa foi a confirmação que tive ao assistir à comédia “Minha melhor amiga”. A história que arrancou gargalhadas sem filtros numa sala de cinema lotada de mulheres

Ofilme “As Melhores Amigas”, pelo título, já é um convite para ir acompanhada. Até tentei organizar um grande grupo, mas as agendas não permitiram. Fomos eu e mais duas amigas, confesso que foi o suficiente para colocar a cumplicidade à prova. (risos)

Entramos no cinema sem grandes expectativas e saímos com uma sensação curiosa: a de que, por algumas horas, uma sala inteira de mulheres estava rindo das próprias vidas. Uma verdadeira terapia em grupo. Detalhe: não sei o número de assentos naquela sala lotada, mas só vi um homem.
Arrisco afirmar que todas as mulheres que estavam ali pareciam entender aquelas situações sem precisar de legenda: o corpo que começa a apresentar novas exigências, a visão que pede óculos, os filhos adolescentes com seus códigos, expressões e dilemas próprios, as mudanças que chegam silenciosamente e, quando percebemos, já alteraram algumas certezas que tínhamos sobre nós mesmas.

Na minha opinião, essa foi a delicadeza do filme: ele não trata essa fase como uma despedida da juventude, mas como um território ainda desconhecido.

Eu e minhas amigas nos reconhecemos, porque algumas experiências não esperam uma determinada idade para acontecer e porque existe algo profundamente feminino em atravessar mudanças enquanto continuamos tentando dar conta de tudo, inclusive de nós mesmas.
Eu ri de chorar, produzi endorfina para a semana toda. A vida adulta nos cobra tanta responsabilidade que, às vezes, esquecemos o quanto é necessário simplesmente rir. Sem propósito, sem produtividade.

A amizade aparece ali como esse lugar de liberdade, onde podemos ser engraçadas, vulneráveis, contraditórias, cansadas, desejantes e absolutamente comuns.

Algumas decisões serão difíceis, algumas perdas vão doer, alguns recomeços vão exigir coragem, mas podemos escolher a maneira como atravessamos cada um deles.

Respirar antes de decidir, fazer o que está ao nosso alcance, mudar a rota quando for preciso e entender que recomeçar não é voltar ao ponto de partida, é seguir adiante levando conosco aquilo que aprendemos.

Às vezes, apenas nos lembrar de que podemos começar de novo.

E as amigas têm um papel precioso nisso. Elas escutam, acolhem, fazem rir, ajudam a enxergar por outros ângulos e nos lembram de quem somos quando, por algum motivo, esquecemos.
Mas amizade também não precisa dar conta de tudo.

Existem momentos em que o cuidado pede outras mãos. Quando o corpo sinaliza, procurar um médico é responsabilidade com a própria vida.Quando as emoções pesam mais do que conseguimos administrar, procurar ajuda psicológica também é cuidado.
Pedir ajuda não diminui a nossa força. Talvez seja justamente uma das formas mais maduras de exercê-la.

No fim, talvez seja esse um dos privilégios de amadurecer: descobrir que não precisamos ter todas as respostas. Podemos mudar de ideia, fazer planos, nos apaixonar, recomeçar, fazer novas amizades, rir de situações que antes nos constrangiam, pedir ajuda e continuar nos reconhecendo como mulheres inteiras, mesmo quando tantas coisas ao redor estão mudando.
E, se tudo isso vier acompanhado de boas amigas e de uma gargalhada daquelas que fazem a gente esquecer da hora, melhor ainda.