
Durante a campanha do Novembro Azul, médicos e entidades de saúde reforçam a importância da conscientização e do diagnóstico precoce do câncer de próstata. Mas você sabe o que acontece depois que a doença é diagnosticada? Quais são as opções de tratamento e o que define a escolha entre elas? Para trazer essas respostas, buscamos o Instituto de Oncologia da Clínica Santa Maria e ouvimos o médico oncologista Dr. Pedro Ferraro, que destaca as terapias disponíveis e os cuidados necessários no atendimento de cada paciente.
Mania de Saúde – Quais são os principais caminhos de tratamento e o que orienta a escolha entre eles?
Dr. Pedro Ferraro – O primeiro ponto importante é entender que câncer de próstata não é uma doença única. Por isso, após o diagnóstico, avaliamos principalmente o estágio da doença, o grau de agressividade do tumor, o valor do PSA, os exames de imagem, a idade e as condições de saúde de cada paciente, para então definirmos o melhor caminho. Existem tumores de comportamento muito lento e outros mais agressivos, o que muda o tratamento. Nos casos de baixo risco, muitas vezes é possível apenas acompanhar de perto, com o que chamamos de vigilância ativa, evitando tratamentos e seus possíveis efeitos colaterais enquanto eles não forem necessários. Quando existe indicação de tratamento com intenção de cura, os principais caminhos são a cirurgia e a radioterapia. Já na doença mais avançada, quando o câncer se espalhou para outras partes do organismo, temos atualmente diversas opções de tratamento sistêmico, como bloqueio hormonal, medicamentos de terapia-alvo hormonal, quimioterapia e, para alguns pacientes, outras terapias mais específicas. Portanto, não existe um único tratamento que seja melhor para todos. A decisão deve ser individualizada e compartilhada com o paciente.
Mania de Saúde – O que define o sucesso do tratamento? O que o paciente precisa ter ciência em relação às terapias, aos possíveis efeitos e aos resultados?
Dr. Pedro Ferraro – O conceito de sucesso depende muito da fase em que a doença foi diagnosticada. Nos tumores localizados, nosso principal objetivo é a cura, mantendo, sempre que possível, uma boa qualidade de vida. Nos casos mais avançados, o objetivo passa a ser controlar a doença pelo maior tempo possível, prolongar a vida e preservar a qualidade de vida do paciente. É fundamental que o paciente e a família participem dessa decisão entendendo não apenas o benefício de cada tratamento, mas também seus possíveis efeitos. Cirurgia e radioterapia, por exemplo, podem causar alterações urinárias e disfunção sexual. O tratamento hormonal pode provocar ondas de calor, redução da libido, perda de massa muscular e alterações metabólicas e ósseas, entre outros efeitos. Hoje procuramos cada vez mais equilibrar três pontos: controlar o câncer, minimizar os efeitos do tratamento e preservar a qualidade de vida. Uma boa comunicação entre médico e paciente é fundamental para que as decisões sejam tomadas de maneira consciente e individualizada.
Mania de Saúde – Como a clínica se estrutura para oferecer esse cuidado?
Dr. Pedro Ferraro – O tratamento do câncer de próstata envolve diferentes especialidades, e procuramos trabalhar de maneira integrada. Dependendo da fase da doença, o paciente pode precisar da atuação conjunta do oncologista clínico, urologista, radioterapeuta e de outros profissionais da equipe multidisciplinar. Nosso objetivo é que o paciente tenha um acompanhamento contínuo, desde a avaliação inicial e definição da estratégia de tratamento até o controle dos possíveis efeitos adversos e o seguimento após o tratamento. Outro ponto que considero muito importante é a discussão individual de cada caso. Atualmente existem muitas opções terapêuticas para o câncer de próstata, e organizar corretamente a sequência e o momento de utilizar cada uma delas faz diferença nos resultados. Mais do que simplesmente oferecer um tratamento, buscamos oferecer um cuidado personalizado, levando em consideração as características do tumor, mas também a idade, as condições clínicas, as expectativas e a qualidade de vida de cada paciente.
