
A Plástica Ocular, também conhecida como Oculoplástica, é uma área da Oftalmologia voltada para o diagnóstico e tratamento de alterações nas pálpebras, órbitas oculares e vias lacrimais, estruturas relacionadas ao funcionamento e à proteção dos olhos. Apesar de constantemente associada apenas à área estética, como a blefaroplastia, que busca tratar o excesso de pele, gordura e músculo na região palpebral, a especialidade se relaciona com casos muito mais amplos, como, por exemplo, a ptose palpebral, alterações das vias lacrimais, traumatismos e tumores palpebrais, visando preservar a função ocular, a visão e a qualidade de vida do paciente.
A Dra. Tatiana Costa, oftalmologista especialista em Plástica Ocular e Vias Lacrimais pela USP, explica que a principal diferença entre a Oculoplástica e a cirurgia plástica se concentra na formação acadêmica e no foco de atuação, visto que, “além da avaliação estética das pálpebras e da região ao redor dos olhos, existe um conhecimento aprofundado da anatomia e da função ocular”, buscando sempre o equilíbrio entre a função e a forma.
Um dos procedimentos mais requisitados é a blefaroplastia, porém a área engloba diversos outros tratamentos, como a ptose palpebral, o tratamento de alterações das posições das pálpebras, como o entrópio e o ectrópio, reconstruções após a retirada de tumores, tratamentos de lesões e traumatismos, entre outros.
De acordo com a médica, “uma pálpebra não é apenas uma estrutura estética. Ela protege o olho, participa da distribuição da lágrima, interfere na superfície ocular e, dependendo de sua posição, pode inclusive comprometer o campo visual. Um resultado esteticamente bonito também precisa respeitar a saúde e a proteção dos olhos”.
A oftalmologista explica ainda que sua atuação é bastante voltada à ptose palpebral congênita e às alterações palpebrais na infância, sendo de extrema importância a avaliação de pacientes nessa faixa etária, pois uma pálpebra muito baixa pode interferir no desenvolvimento visual da criança, sendo, em alguns casos, necessário realizar uma intervenção cirúrgica essencialmente funcional.
Segundo Dra. Tatiana Costa, a segurança começa antes da cirurgia em si, e é fundamental realizar uma avaliação oftalmológica e palpebral detalhada, entendendo as queixas, analisando fatores individuais de cada indicação e realizando um planejamento cirúrgico com base em conhecimento anatômico específico, precisão e atenção à proteção da superfície ocular, além dos cuidados pós-operatórios com acompanhamento médico e orientações adequadas durante o processo de recuperação.
A médica ainda reafirma a necessidade de ter cautela quanto à utilização de preenchedores e toxina botulínica, visto que, por mais que sejam procedimentos “sem cortes”, a região periocular possui uma anatomia vascular complexa e está muito próxima de estruturas diretamente relacionadas à visão, fazendo-se necessárias a indicação correta, o conhecimento anatômico e a segurança.
Por isso, a oftalmologista afirma que a Plástica Ocular está justamente na interseção entre visão, função, saúde e estética, não buscando simplesmente deixar uma pálpebra mais bonita, mas o melhor resultado possível preservando a função, a saúde ocular e a identidade do paciente.


