
Dor, inchaço e sensibilidade nem sempre são apenas gordura localizada ou celulite. A angiologista Dra. Paloma Miguel explica como reconhecer a doença e quais tratamentos ajudam a recuperar a qualidade de vida.
Quantas mulheres já não se olharam no espelho e estranharam a aparência das pernas? Pois é. Aquele inchaço que parecia inofensivo, de repente, começa a saltar aos olhos, gerando forte incômodo visual. Mas não só isso: a sensação de peso também aumenta, a ponto de gerar desconforto ou até dor ao simples toque dos dedos. Já a pele apresenta uma aparência irregular, como se estivesse tomada pela celulite, fazendo muitas mulheres logo buscarem uma clínica de estética sem saber, na verdade, que estão com um quadro de lipedema.

Apesar de estar cada vez mais em evidência na internet e nas redes sociais, o lipedema ainda é pouco compreendido e muitas vezes acaba sendo associado a outras condições de saúde, como explica a médica angiologista e cirurgiã vascular Dra. Paloma Miguel. “O lipedema está na ordem do dia, mas, ainda assim, vive cercado de desinformação. É muito comum, por exemplo, as pessoas confundirem com celulite ou obesidade e até recorrerem a métodos inadequados para aliviar os sintomas. Mas o lipedema possui uma dinâmica própria, reunindo uma série de características que exigem uma avaliação médica criteriosa de cada paciente”, disse.
Segundo Dra. Paloma, o lipedema é uma doença crônica, caracterizada por um acúmulo anormal de gordura, especialmente em pernas, quadris e braços (mas poupando os pés e as mãos). “O quadro afeta quase que exclusivamente as mulheres e costuma ocasionar dor, inchaço, sensibilidade ao toque e facilidade em formar hematomas, tendo origem hormonal e genética”, afirma a angiologista.
Já a celulite é uma alteração estética comum e inofensiva, que causa o aspecto de “casca de laranja” na pele devido ao acúmulo de gordura e retenção de líquidos. “Ela pode aparecer em qualquer parte do corpo, geralmente nas coxas e glúteos, mas melhora com alimentação saudável, exercícios, drenagens e outros tratamentos estéticos. É diferente do lipedema, que não responde muito bem à dieta e aos exercícios. Daí a importância da avaliação correta para diferenciar cada caso e garantir a abordagem adequada”, disse a especialista.
Outro equívoco frequente, segundo ela, é confundir lipedema com obesidade. “O lipedema não é apenas gordura em excesso. A gordura dele é diferente da gordura comum e é resultado de uma alteração crônica do tecido adiposo, associada à inflamação, dor, sensibilidade ao toque e dificuldade de redução mesmo com dieta e exercícios. Por isso, não se trata apenas de emagrecer, mas de compreender e tratar uma condição que impacta a saúde e a qualidade de vida”, alerta Dra. Paloma, que também diferencia o lipedema do linfedema. “O linfedema está relacionado ao sistema linfático e é caracterizado pelo acúmulo de líquido nos tecidos, e não de gordura, como ocorre no lipedema. As duas condições podem ocorrer simultaneamente, mas ambas exigem avaliação médica para evitar equívocos no tratamento”.
Tudo isso explica por que o lipedema não pode se restringir a uma abordagem isolada nem meramente estética, exigindo uma integração coordenada entre diferentes especialistas. “O angiologista é o profissional indicado para investigar a causa, realizar o diagnóstico correto e orientar o tratamento mais adequado para o lipedema. Tudo começa com uma avaliação do sistema vascular, distinguindo o lipedema de outros padrões de distribuição de gordura no corpo. Basta citar que 80% dessas pacientes sofrem com varizes, o que aumenta a necessidade de acompanhamento”, diz Dra. Paloma. “Atualmente, temos na clínica um protocolo específico para lipedema, com diversas tecnologias inovadoras, entre elas o circulador sequencial, que atua na melhora da circulação, ajudando a reduzir o inchaço, além de promover o controle da inflamação. Isso garante alívio dos sintomas e proporciona bem-estar ao longo do tratamento”.
