Muito se ouve falar, na atualidade, em pensamentos intrusivos. Mas será que todos sabem o que eles de fato significam? Será que aquelas ideias aparentemente estranhas que vivemos no dia a dia são motivo para preocupação? A fim de abordar o assunto, o Mania de Saúde ouviu a psicóloga Noísa Rangel, que é especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Terapia EMDR, tendo vasta experiência no tratamento de traumas e ansiedade.
Ela começa explicando que, embora muito popularizado nas redes sociais, o conceito possui um sólido embasamento psicológico. “O termo tem base na psicologia, sim. Pensamentos intrusivos são ideias, palavras ou imagens indesejadas que surgem de repente na mente. Eles costumam ser perturbadores, inadequados ou até bizarros. O conteúdo pode abranger temas sexuais, violentos, mórbidos ou constrangedores. Episódios leves são comuns e experimentados pela maioria das pessoas. Exemplos: imaginar-se caindo do alto da janela de um prédio, vontade repentina de jogar o celular na água ao atravessar uma ponte ou imaginar um acidente de trânsito ao caminhar na calçada. Esses pensamentos surgem porque o cérebro processa ‘ruídos mentais’ ou interpreta mal os sinais de alerta. Podem se tornar frequentes devido a fatores como estresse, ansiedade, esgotamento mental ou condições como o TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo)”, esclareceu Noísa.
Segundo a psicóloga, vários fatores podem contribuir para o surgimento de pensamentos intrusivos. “Muitas situações costumam favorecer esses episódios. Um exemplo é o estresse e a ansiedade. Isso porque eles elevam o estado de alerta do cérebro, que passa a produzir pensamentos catastróficos. Outros fatores incluem a privação de sono, já que noites mal dormidas deixam a mente esgotada; a fadiga emocional, quando o cérebro está sobrecarregado e os mecanismos naturais de regulação falham, deixando a pessoa mais suscetível a ‘pensamentos pegajosos’; e a necessidade de controle, bastante comum em pessoas com traços de perfeccionismo, que se incomodam profundamente com pensamentos capazes de desafiar seus próprios padrões. Traumas passados também interferem nesse processo: o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), por exemplo, predispõe a mente a reviver imagens ou pensamentos associados ao evento traumático”, destacou.
Quando um pensamento intrusivo aparece, então, qual é a forma mais saudável de lidar com ele? Em que momento é importante procurar ajuda profissional? Noísa Rangel traz a resposta. “A forma mais saudável de lidar com um pensamento intrusivo é aceitar sua presença sem lutar contra ele e sem julgamento, lembrando que pensamentos não são fatos. Não tente reprimi-lo, pois isso tende a fortalecê-lo. Em vez disso, note, nomeie o pensamento e redirecione seu foco para o momento presente”, afirma a psicóloga. “A ajuda profissional é necessária quando esses pensamentos se tornam frequentes, intensos e repetitivos. Ou quando começam a causar grande angústia, prejudicando o sono, o trabalho ou as suas relações sociais e afetivas. O problema é quando esses pensamentos são perturbadores, repetitivos, frequentes e atrapalham o funcionamento normal do indivíduo. Neste caso, pode ser alguma disfunção ou transtorno. É um sinal para buscar ajuda médica”.
Técnicas práticas de manejo para pensamentos intrusivos
- Desidentificação: Quando o pensamento surgir, diga a si mesmo: “Estou tendo um pensamento de que…”. Isso cria um distanciamento emocional, separando quem você é do que está passando pela sua cabeça.
- Evite o combate: Não tente brigar com o pensamento. Deixe-o passar como se fosse uma nuvem ou um carro na rua. Quanto mais energia você gasta tentando bani-lo, mais forte ele se torna.
- Redirecione o foco: Mude o canal da sua mente. Tente a técnica do movimento pendular: concentre-se na sensação física da ansiedade por alguns segundos e, em seguida, focalize intensamente a atenção no seu pé ou joelho. Isso quebra o padrão de fixação mental.
- Pratique a respiração: Para aliviar o estresse físico, utilize exercícios de respiração diafragmática (puxando o ar pelo nariz em 4 segundos, segurando por 4, e soltando pela boca em 8 segundos).
