A minha thurma das 7h no Studio FB, flores que recebi do amigo Roberto Bastos que está na Irlanda e na última foto, a Sophya, eu e a amiga Vanessa Ribeiro com a filha Luíza
Talvez a amizade também seja isso: encontrar alguém que, sem saber, nos ensina a receber o amor que sempre soubemos oferecer
Passei boa parte da vida sabendo muito bem o que fazer quando era a vez de comemorar alguém. Uma festa surpresa, uma homenagem, um presente pensado nos detalhes… sempre gostei de celebrar as pessoas que amo. Demonstrar carinho sempre foi uma forma natural de dizer: “você importa”.
Mas, curiosamente, quando chegava a minha vez, eu desaparecia, viajava, deixava o celular no silencioso, fazia o possível para não ser encontrada. Durante muito tempo, achei que simplesmente não gostava de comemorações. Até que a ficha caiu: talvez eu não tivesse aprendido a ser comemorada.
Filha de engenheiro, cresci mudando de cidade em cidade. Tive amigos em muitos lugares, mas poucos vínculos permaneceram. Minha mãe, de origem humilde, nunca teve o hábito de fazer festas de aniversário, até porque ela mesma nunca havia tido uma. Então cresci sem festa. E não considero isso uma tragédia. Foi apenas a vida como ela era.
Percebi que, por não ter tido festa quando criança, inconscientemente, durante anos me senti desconfortável em ser festejada. E é aí que entra a famosa Sophya.
Uma gaiata nata. Daquelas que gostam de festa, confraternização e de transformar qualquer ocasião em motivo para celebrar. Seus presentes quase nunca são simplesmente comprados: são desenhados, pintados, confeccionados, cozinhados… carregam tempo, criatividade e intenção.
Foi convivendo com ela que comecei a compreender algo simples, mas que levou anos para eu enxergar: o valor das coisas nem sempre está no tamanho, mas no significado que carregam.
Um bolo pode ser apenas um bolo ou alguém dizendo: “eu pensei em você”. Um desenho pode ser apenas um desenho ou uma forma de dizer: “você é importante para mim”.
Estou aprendendo que não preciso fazer tudo perfeito. Preciso apenas estar presente para ressignificar a minha história.
Este ano, Sophya quis fazer um bolo para mim e . Resolvi me permitir receber a comemoração, deixar que me festejem, que me parabenizem, qEU DECIDI FICARue expressem carinho, sem fugir, sem controlar, sem tentar organizar tudo.
Ainda sinto aquele impulso de escapar, mas estou aprendendo a amar e conhecer essa nova Andréa: a que descobriu que também pode receber aquilo que tantas vezes ofereceu aos outros.
Talvez essa seja uma das grandes lições que Deus nos ensina através das pessoas que coloca em nosso caminho. Algumas permanecem por toda a vida; outras convivem conosco por um tempo. Mas, de alguma maneira, todas podem deixar uma lição.
Sophya me ensinou, entre tantas coisas, que nem tudo precisa estar sob o nosso controle para ser bonito. Talvez essa seja uma das maiores liberdades que podemos experimentar: entender que o controle é único e exclusivo de Deus.
A nós cabe viver, amar, agradecer, aprender… e permitir. Permitir que nos surpreendam, que cuidem de nós, que nos celebrem, que façam por nós aquilo que tantas vezes fazemos pelos outros.
Porque, abaixo de Deus, talvez as pessoas sejam mesmo os maiores presentes que Ele nos dá. E, quem sabe, elas chegam justamente para nos ensinar aquilo que ainda não aprendemos sobre nós mesmos?
Eu, por exemplo, estou aprendendo a ser festejada.
E quer saber?
Estou gostando muito dessa nova experiência.



