Consumo de cosméticos entre jovens acende alerta para desreguladores endócrinos
Com a popularização dos marketplaces e dos fretes acessíveis, comprar pela internet deixou de ser exceção e passou a integrar a rotina de consumo de todas as gerações. Mas um fenômeno que começa a chamar a atenção, nesse sentido, é o das compras feitas por crianças e adolescentes, que vêm ganhando espaço no comércio online.
No caso das meninas, isso muitas vezes envolve produtos de beleza, como máscaras e séruns faciais (principalmente para acne e controle da oleosidade, com linhas voltadas ao público teen), sabonetes, espumas de limpeza, água micelar, protetor facial, além, é claro, de diversos outros cosméticos que viralizam no TikTok e despertam o desejo de consumo entre as adolescentes, muitas vezes sugestionadas por influenciadores e pela estética das embalagens.
Mas o que parece apenas uma tendência entre os jovens exige cuidado, principalmente quando envolve o uso de produtos sem orientação adequada e o desconhecimento sobre a composição química. Em um alerta publicado no portal da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o Departamento Científico de Medicina do Adolescente explicou os riscos associados ao uso de determinados cosméticos durante o desenvolvimento infantojuvenil, alertando que alguns produtos podem conter compostos capazes de interferir no funcionamento hormonal.
“Tem muita coisa que a gente consome sem saber o quanto mal faz para a saúde e meio ambiente, desde cosméticos, alimentos, utensílios e até roupas. Podemos aqui citar os desreguladores endócrinos, que são substâncias químicas externas ao organismo, que podem causar alterações no sistema endócrino e podem ser absorvidas por ingestão, absorção da pele e inalação”, alertou a SBP. “Dependendo do composto químico, ele pode ter uma atividade hormonal diferente de outro composto. Muitos deles têm uma atividade de estrógeno, de hormônio feminino, porque a molécula deles é muito parecida à do hormônio feminino, então, acaba tendo o mesmo tipo de ação. As crianças pequenas, os fetos e os adolescentes estão em uma fase de desenvolvimento de grande multiplicação celular, então, são mais sensíveis aos efeitos dos desreguladores endócrinos”, acrescentou.
Como esses desreguladores podem estar presentes em cosméticos, cresce a necessidade de vigilância por parte dos pais e responsáveis, que devem acompanhar os produtos utilizados pelos filhos. “Olhe a composição no rótulo dos produtos. Os comumente encontrados nos cosméticos e maquiagens são: A) Parabeno: presente em cerca de 80% dos cosméticos convencionais para evitar a proliferação de bactérias e aumentar a validade dos produtos, podendo alterar o equilíbrio hormonal do nosso corpo e favorecer o desenvolvimento de doenças, alergias, coceiras e irritações que estão diretamente relacionadas ao excesso de parabeno. B) Petrolatos: nada mais é que a geleia do petróleo. É um ingrediente barato, que a grande indústria cosmética convencional usa como emoliente. Aumentam o risco de doenças e dermatites graves com alto grau de toxicidade, zero valor nutricional à pele e criação de uma barreira que impede que nutrientes bons a ultrapassem. C) Chumbo e/ou metais pesados: usado em tinturas de cabelo (aparece como LEAD ACETATE). Metais pesados como chumbo, cádmio e níquel são tóxicos e em geral contaminantes de maquiagens. O chumbo é uma neurotoxina e sabe-se que causa danos cerebrais e capacidade cognitiva reduzida, especialmente em crianças, além de doenças renais, distúrbios sanguíneos, como pressão alta e anemia, e tem um potencial de toxicidade reprodutiva. D) Formol e derivados: formaldeído é um ingrediente tido como cancerígeno e está ligado a alergias. Encontrado principalmente em escovas progressivas e esmaltes”, ressaltou a SBP, cujo alerta demonstra a importância de buscar orientação médica diante de dúvidas sobre o uso desses produtos.
