A proteção que pode evitar internações

Dr. Charbell Kury explica como cuidar da saúde respiratória durante os meses mais frios do ano

O médico pediatra e infectologista Dr. Charbell Miguel Haddad Kury

Os tempos mudam, as gerações passam, mas certas coisas continuarão sempre presentes na maioria das sociedades. Uma delas é a maior incidência de doenças respiratórias durante o inverno, que acaba se tornando um período de alerta para inúmeras famílias, especialmente aquelas com bebês e crianças pequenas. Afinal, é comum que surjam nessa época sintomas como nariz entupido, tosse, coriza e até mesmo febre, levando a um aumento na procura por serviços de saúde e reforçando a importância dos cuidados preventivos para reduzir a transmissão de vírus respiratórios.

Para abordar o tema, o Mania de Saúde ouviu o médico pediatra e infectologista Dr. Charbell Miguel Haddad Kury, responsável-técnico pelo Vacina Plinio Bacelar. Ele explica por que o período de outono/inverno acaba exigindo mais atenção com as doenças respiratórias, demandando um olhar ainda mais cuidadoso por parte das famílias. “O período de outono/inverno é uma fase de alta circulação de vírus e bactérias que levam, ocasionalmente, a quadros de doenças respiratórias ou exacerbação de quadros de rinite alérgica, sinusite e, eventualmente, pneumonias virais e bacterianas. Essa fase é um ‘batismo de fogo’ da imunidade das crianças, especialmente os bebês menores de 6 meses. Alguns vírus, como o VSR (vírus sincicial respiratório), levam a quadros severos de insuficiência respiratória. Outros vírus, como o da influenza, são extremamente perigosos pela alta transmissibilidade. Junta-se a isso a história de atopia/alergia e o débito imune, quadro esperado em bebês e crianças que começam a frequentar escolas e creches pela primeira vez, levando a uma sucessão de doenças. Da mesma forma, os idosos também sofrem com o VSR, que causa infecções respiratórias severas nessa população, levando, inclusive, a mais internações do que em crianças”, ressaltou.

Segundo Dr. Charbell, o VSR acarreta quadros severos em 50% das crianças menores de 6 meses de idade, levando a internações e, ocasionalmente, a óbito. “Para essa população, o SUS fornece gratuitamente a vacina contra o VSR para gestantes a partir de 28 semanas de gestação. Porém a proteção que essa vacina confere é de, no máximo, 3 a 6 meses nos bebês pequenos. Para essa faixa etária, existem os anticorpos monoclonais Nirsevimabe e o novo Clesrovimabe (que chega ao Brasil em agosto), o que confere proteção mínima de 5 meses. O Nirsevimabe é fornecido gratuitamente pelo SUS para bebês prematuros e de alto risco. Porém consideramos que TODAS as crianças devem ter essa proteção, pois os estudos aferem que cerca de 80% das crianças inicialmente sem serem prematuras ou de risco podem evoluir para CTI e intubação com respirador. Sendo assim, a complementação pode ser feita conosco, no Vacina Plinio Bacelar”, diz o médico. “Outra proteção importante são as vacinas contra o VSR para adultos e idosos. Também não podemos esquecer das vacinas contra a gripe para todas as idades e da influenza de alta potência (EFLUELDA) para os idosos”, acrescentou o especialista, lembrando que, além das crianças e dos idosos, pessoas com asma, diabetes, doenças respiratórias crônicas e doenças cardíacas devem conversar com seu médico sobre vacinas especiais.