Será que sua filha já precisa do ginecologista?

Dra. Jane Carla comenta dúvidas comuns e o papel da consulta na adolescência

Será que sua filha já precisa do ginecologista?Houve uma época em que o cuidado ginecológico parecia se restringir ao momento do parto ou a intercorrências ocasionais na rotina da mulher. Felizmente, no entanto, a relação do público feminino com a própria saúde adquiriu novos contornos ao longo das últimas décadas, valorizando a prevenção e o acompanhamento em diferentes fases da vida. Isso abrange desde saúde hormonal até prevenção de ISTs, como o HPV, além de métodos contraceptivos e planejamento reprodutivo, transformando a relação das mulheres consigo mesmas.

Mas não só isso: diferente do passado, quando alguns temas ainda pareciam tabus entre as mulheres, hoje a maioria entende a importância do acompanhamento ginecológico regular, com diversas mães levando as próprias filhas para consultas desde a adolescência, muitas vezes já nos primeiros anos após o início da puberdade, como forma de orientar e introduzir o cuidado com a saúde íntima de maneira segura e gradual.

Será que sua filha já precisa do ginecologista?“É muito comum vermos, no consultório, mães levando as filhas para a primeira consulta. Além disso, o acesso à informação faz com que as próprias adolescentes de hoje fiquem mais informadas sobre o assunto, o que acaba se refletindo no atendimento”, conta a médica ginecologista e obstetra Dra. Jane Carla. “No dia a dia do consultório, atendo um grande número de adolescentes de 10 a 19 anos que chegam trazendo diversas questões, muitas vezes perguntando sobre algo que já viram na internet ou comentaram com as amigas. Isso ajuda a tirar dúvidas e também a consolidar a relação médico-paciente, que é fundamental para o cuidado com a saúde”.

Apesar de terem uma carga de informação maior do que as gerações anteriores, muitas adolescentes chegam com questionamentos comuns a essa fase, buscando saber se é normal sentir tanta cólica, por que o ciclo ainda é irregular nos primeiros anos após a menarca, além de outras dúvidas relativas às mudanças do corpo e ao início da vida sexual. “Também é comum perguntarem sobre temas como corrimento, higiene íntima, libido e até medo de ‘ter algo errado’ por conta de possíveis alterações hormonais. O papel do acompanhamento nessa fase é justamente desmistificar essas questões e mostrar o que faz parte do desenvolvimento e o que merece investigação”, disse.

Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), não existe uma idade específica para a primeira consulta ginecológica, mas recomenda-se que o acompanhamento se inicie ainda na adolescência, geralmente a partir dos 10 anos, sobretudo após o começo da puberdade ou da primeira menstruação. “Um ponto importante a se observar é que, muitas vezes, o ginecologista acaba sendo o médico que acompanha a paciente ao longo de toda essa trajetória, não apenas em demandas habituais, mas também em consultas de rotina, com realização de exames preventivos, avaliação hormonal, orientação reprodutiva, uso de vacinas, entre outros fatores. O mais importante é que esse cuidado se mantenha ao longo da vida adulta, favorecendo, assim, um envelhecimento mais saudável”.

No mês dedicado às mães, portanto, vale a pena ressaltar como o cuidado com a saúde da mulher adquiriu novos significados, fortalecendo inclusive a conexão entre mães e filhas. “Mesmo passando por diversas mudanças ao longo do tempo, o cuidado ginecológico não deixa de ser também um elo entre gerações, aproximando mães e filhas, que acabam criando uma relação mais aberta com a própria saúde”.