
Você provavelmente já ouviu falar em crescimento econômico e achou que parecia algo distante, certo? Hoje, porém, os números começam a transformar essa percepção em realidade. De acordo com dados do Governo Federal e da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (JUCERJA), Campos dos Goytacazes segue entre as cidades que lideram o ranking de constituição de novas empresas e manutenção de CNPJs ativos em todo o território fluminense. Dentre essas, destacam-se as de natureza jurídica Microempreendedor Individual (MEI), em ramos como comércio varejista, cuidados com beleza como cabeleireiro, manicure, lanchonetes, promoção de vendas, transporte e obras, por exemplo.
Mesmo ao analisar números como o de fechamento de empresas, a cidade apresenta uma diferença elevada que solidifica a afirmação de que a região vive um verdadeiro “boom” econômico. De janeiro a março de 2026, foram 563 empresas fechadas, para 1003 outras abertas, segundo a base de dados do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Com o crescimento do empreendedorismo é possível fortalecer a inovação, ampliar a competitividade, reduzindo preços, e aumentar a arrecadação, de modo a construir uma cidade mais próspera, com mais empregos e oportunidades de prestação de serviços. Mas é necessário incentivo.

do Norte Fluminense do SEBRAE RJ
Nesse sentido, Campos conquistou recentemente dois troféus, por meio do 13º Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora, realizado na cidade do Rio de Janeiro. As premiações se deram em decorrência do programa Fundetáxi, na categoria Inclusão Socioprodutiva, e o Programa do Artesanato Campista, na categoria Turismo e Identidade Territorial. Para o Coordenador Regional do Norte Fluminense do SEBRAE RJ, Guilherme Reche, o município apresenta um ambiente favorável para negócios alinhados à sua vocação econômica e uma crescente demanda por empreendimentos que priorizem a experiência do cliente, digitalização, personalização, sustentabilidade e atuação em nichos específicos.
Mania de Saúde – Quais setores da região já estão saturados e quais demonstram maior potencial de crescimento?
Guilherme Reche – Alguns segmentos já apresentam sinais de saturação, especialmente quando não há diferenciação. É o caso de lojas de roupas genéricas, lanchonetes tradicionais, barbearias sem posicionamento e pequenos comércios que competem apenas por preço. Ainda assim, há espaço nesses mercados para quem investe em diferenciais claros, como experiência, qualidade, marca, nicho ou conveniência. Por outro lado, há forte potencial de crescimento em setores como tecnologia, energias renováveis, serviços empresariais, educação profissional, saúde especializada, turismo de experiência, agronegócio tecnológico, logística, manutenção industrial e soluções voltadas à produtividade das empresas. Também se destacam oportunidades na integração entre petróleo e gás, inovação, capacitação técnica e desenvolvimento de fornecedores locais.
Mania de Saúde – Quais são os erros mais comuns de quem começa a empreender?
Guilherme Reche – Os erros mais recorrentes estão relacionados à falta de gestão e planejamento. Entre eles: abrir a empresa sem um plano de negócios, misturar finanças pessoais e empresariais, errar na precificação, não calcular capital de giro e focar apenas na formalização, sem estrutura de gestão. Também são observadas falhas como ausência de presença digital, desconhecimento do cliente e dependência de poucos destes, contratações precipitadas, e falta de acompanhamento de indicadores financeiros. Além disso, percebemos a existência de uma equivocada associação de volume de vendas a lucro. Muitos negócios vendem bem, mas operam com margens reduzidas e acabam não se sustentando.
Mania de Saúde – Como o Sebrae pode ajudar?
Guilherme Reche – O Sebrae oferece suporte para reduzir riscos e aumentar as chances de sucesso dos pequenos negócios, desde a fase inicial da ideia até a consolidação da empresa, por meio de orientação para abertura, análise de viabilidade, elaboração de plano de negócios, consultorias, capacitações, apoio em gestão financeira e marketing, além de suporte em inovação e transformação digital. No estado do Rio de Janeiro, o Sebrae atua ainda com subsídios em suas soluções, que podem chegar a até 75% do custo.
