Como se alimentar durante o pós-parto?

Como se alimentar durante o pós-parto?Cada caso é um caso, mas o fato é que a maioria das mulheres que engravida de modo planejado ou não passa por inúmeras transformações físicas, emocionais e hormonais que impactam sua autoestima e estética tanto ao longo da gestação quanto após o parto.

Durante ambos os períodos, as necessidades nutricionais aumentam consideravelmente, uma vez que a mulher precisa alimentar a si mesma e ao bebê que está se desenvolvendo e que após o nascimento depende exclusivamente do leite materno.

Especificamente, no pós-parto, inúmeras mães enfrentam dificuldades para emagrecer e, ansiosas por resultados rápidos, podem acabar buscando alternativas que prejudicam a sua saúde e a amamentação do seu bebê. Portanto, cada mulher precisa entender que a recuperação do seu peso já precisa ser trabalhada através de uma dieta equilibrada e preferencialmente acompanhada por um nutricionista desde o pré-natal.

O nutricionista Tiago Souza

A frase popular de que “mãe deve comer por dois” não deve ser compreendida como uma concessão para abusos de qualquer tipo de comida (incluindo guloseimas, ultraprocessados etc.), como se não existissem consequências. As pessoas podem até acreditar na ilusão de que o corpo perdoa esses excessos, mas, na prática, a ciência mostra o contrário, pois isso implica riscos.

Uma rotina alimentar desregrada pode ocasionar à mulher problemas como obesidade ou diabetes gestacional, e ainda comprometer a criança com obesidade infantil e diabetes na vida adulta, bem como complicações em seu sistema imunológico e desenvolvimento cognitivo.

Por outro lado, deixar de comer ou fazer uso de alimentos pobres em nutrientes, ou até lançar mão de medicações e métodos equivocados, pode provocar desnutrição e anemia tanto da mãe quanto da criança, sem garantia de atingir o peso e o tônus desejado.

Mas e quando a mãe pensa nessa questão apenas depois do filho nascido? Ainda é possível emagrecer e manter-se saudável sem prejudicar o desenvolvimento do bebê? Para esclarecer sobre estes cuidados, o nutricionista Tiago Souza, que atende na Clínica Casah, esclarece alguns pontos levantados por nossa reportagem.

Mania de Saúde – Em sua rotina de atendimentos, a maioria das mães te procura antes ou depois do parto?

Tiago Souza – Na maioria das vezes, as mulheres me procuram após a gestação, geralmente porque tiveram um ganho de peso importante e encontram dificuldade para emagrecer depois do parto. Uma das frases que mais escuto no consultório é: “Parece que meu metabolismo parou”. No pós-parto, meu foco não é apenas estético ou perda de peso rápida. O objetivo principal é ajudar essa mulher a recuperar sua saúde, melhorar sua energia e disposição, preservando a amamentação e emagrecendo de forma gradual e sustentável.

Mania de Saúde – Qual o tempo ideal para uma mulher iniciar uma dieta após a gestação? É seguro a mãe perder peso enquanto amamenta?

Tiago Souza – É seguro desde que seja feito da forma adequada. Na prática clínica, os primeiros 45 a 60 dias após o parto. Durante a lactação, é comum que haja um acúmulo maior de gordura no corpo, uma vez que essa reserva é destinada à produção de leite. Esse aumento de peso corporal é importante para fornecer a energia necessária. Portanto, não é o momento ideal para dietas extremamente restritivas. Outro ponto a se considerar é que, no parto natural, a mulher tende a se recuperar mais rápido, enquanto a cesárea exige um pouco mais de tempo, pois envolve todo um processo inflamatório devido à cicatrização da cirurgia.

Mania de Saúde – Quais sinais devem servir de alerta para que a mulher no pós-parto busque o acompanhamento de um nutricionista?

Tiago Souza – Irritabilidade, perda do leite (embora isso seja por outros fatores também, como fator emocional), queda de cabelo, unhas fracas e quebradiças, memória ruim (esquecida), fadiga, além de um ponto muito mais importante de ser observado: o esgotamento emocional. Muitas mulheres acabam desenvolvendo depressão pós-parto. E, dentre os fatores envolvidos, está a deficiência nutricional, principalmente de vitamina B12, B9, B6, vitamina D, ferro, zinco, selênio e ômega-3, o que contribui para o desenvolvimento e/ou agravamento do quadro.