Cuidado! Você pode estar piorando o lipedema sem saber

 Dra. Flávia Miranda - Piorando o lipedema
A fisioterapeuta Dra. Flávia Miranda é especialista em pré, intra e pós-operatório de cirurgias e em reabilitação vascular

Difícil encontrar uma mulher que não tenha ouvido falar de lipedema. Os dados do Google Trends confirmam essa realidade: só nos últimos 90 dias, a busca para saber o que é lipedema aumentou em mais de 300% na internet, onde também vem se expandindo a procura por diagnóstico e tratamento. Mas esse crescente interesse pelo tema está fazendo com que um grande número de mulheres busque por métodos nem sempre eficazes para tratar o lipedema, ignorando não só a complexidade do quadro, mas também um detalhe fundamental: o fato de que essa condição, ao contrário do que se imagina, está longe de se restringir à estética.

Quem nos fala sobre o assunto é a fisioterapeuta Dra. Flávia Miranda, que é especialista em pré, intra e pós-operatório de cirurgias e também em reabilitação vascular. Com vasta experiência na área, ela revela os principais obstáculos do tratamento do lipedema na atualidade. “Muitos pacientes não sabem identificar a doença. Sem esse entendimento, qualquer coisa passa a ser vendida como solução. Por isso, busco informar sobre todos os aspectos do lipedema, já que estamos falando de um quadro multifatorial, caracterizado por um acúmulo de gordura desorganizada e inflamada, com características muito particulares. Trata-se de uma doença, que não tem cura até hoje, mas tem controle. Quando utilizado o protocolo adequado, a paciente consegue ficar assintomática, obtendo mais saúde e bem-estar”, disse.

Dra. Flávia MirandaSegundo a especialista, um erro frequente é reduzir o lipedema a uma questão estética, o que pode resultar no uso de aparelhos sem critérios adequados. “Se você tem um machucado e fica esfregando, ele vai melhorar ou piorar? Vai piorar. Com o lipedema é parecido. Isso porque existe uma inflamação local. Se a região for manipulada de forma inadequada, pode até melhorar a aparência externa por um tempo, mas, por dentro, o quadro está se agravando. Em alguns casos, dependendo do grau do lipedema, fazer carboxiterapia, radiofrequência ou massagem modeladora é até contraindicado. É preciso, antes de tudo, lidar com o controle da inflamação”.

Identificar o lipedema, segundo Dra. Flávia, é um desafio para os pacientes, mas alguns pontos ajudam nesse processo. “Volume aumentado e desproporcional das pernas, dificuldade de reduzir gordura, dor ao toque e tendência a hematomas são alguns dos indicativos. A doença acomete mais as mulheres e tem um padrão bilateral. Quando ocorre só de um lado, trata-se de linfedema. Apesar das pacientes se queixarem da parte estética, há muito quadro de dor, que interfere na qualidade de vida. Os nódulos de gordura, por sua vez, acabam sendo confundidos com obesidade e gordura localizada, mas não é o caso. Daí a importância do acompanhamento correto, já que o lipedema exige uma atuação multidisciplinar, incluindo médico angiologista para avaliar a saúde vascular, nutricionista para lidar com a inflamação, fisioterapeuta para controle dos sintomas e educador físico para orientar o movimento adequado. Ou seja: não é uma questão puramente estética. Nós vamos tratar primeiro a doença”, ressaltou.

Na atuação fisioterápica, Dra. Flávia emprega recursos avançados, começando pela termografia, que permite uma avaliação mais apurada do lipedema e ajuda, inclusive, a acompanhar a evolução do tratamento. “Depois de uma avaliação completa, que inclui perimetria, termografia e boa anamnese, damos início ao protocolo, utilizando recursos como plataformas vibratórias, fotobiomodulação, placa de LED, laser e ILIB, que atua diretamente na qualidade do sangue e na microcirculação”, conta a especialista. “Também associamos exercícios miolinfáticos para controle de edema e inflamação. A compressão pneumática, por sua vez, é superior em relação à drenagem linfática. Isso porque a drenagem costuma ter um efeito mais imediato, mas com retorno do inchaço no dia seguinte, enquanto a compressão, quando bem ajustada, tende a manter melhor o resultado. Isso é importante porque, muitas vezes, vemos a compressão sendo feita com parâmetros inadequados, com pressão excessiva ou tempo prolongado, o que pode agravar a inflamação. O importante é buscar profissionais realmente especializados no segmento, a fim de garantir a abordagem correta e apropriada para o controle do lipedema”.