Grandes empreendimentos no setor privado e na esfera pública — como a instalação da BR Offshore por meio do Complexo Logístico Industrial Farol/Barra do Furado e a implantação da Central de Abastecimento de Campos dos Goytacazes (Ceascam), que abordamos na edição passada — vêm despertando a atenção do empresariado para investimentos na região. Mas a expectativa não se restringe a eles. Afinal, outros empreendimentos estão em fase de implantação na cidade e podem trazer novos horizontes até mesmo para o comércio em geral.
Atento a isso, o Mania de Saúde convidou o empresário Edvar Chagas Júnior, proprietário da Femac Móveis, ex-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) e reconhecido por seu ativismo no fortalecimento do comércio e do ambiente de negócios regional, para expressar sua visão empreendedora sobre este novo ciclo econômico em Campos dos Goytacazes.
Mania de Saúde – Existem possibilidades reais de benefício para o comércio campista, considerando o boom econômico que estamos presenciando?
Edvar Chagas Jr. – Sim, há motivos concretos para otimismo. Os investimentos no Porto do Açu já são uma realidade consolidada, e a chegada de grupos como a Cipasa, que enxergam grande potencial de crescimento na região, reforça essa perspectiva. Projetos de bairros planejados, com uso misto (residencial e comercial), além da possibilidade de implantação de uma Zona Especial de Negócios (ZEN), criam um ambiente propício para atração de grandes empresas e magazines. Naturalmente, esse movimento tende a impulsionar o comércio local, desde que ele esteja preparado para acompanhar essas transformações, especialmente no uso de tecnologia.
Mania de Saúde – Quais são suas reais expectativas para o comércio em Campos?
Edvar Chagas Jr. – O comércio está passando por uma transformação profunda. Hoje, não basta apenas comprar e vender. O empresário precisa entender o comportamento e as necessidades do cliente — a chamada “dor do cliente” — e oferecer soluções com excelência. Isso envolve experiência, atendimento, presença digital e inovação. A expectativa é que os empresários locais compreendam esse novo cenário e se adaptem, aproveitando as oportunidades que esses novos investimentos podem trazer para a cidade.
Mania de Saúde – Com sua experiência, o que aconselha aos investidores, profissionais e empresários locais?
Edvar Chagas Jr. – O empresário precisa estar cada vez mais atento às mudanças do mercado e, principalmente, preparado para elas. É necessário evoluir constantemente. Em muitos casos, há perda de espaço para empresas de fora. Mas isso não acontece por acaso. É resultado direto da falta de profissionalização e adequação às novas demandas do mercado. Por exemplo: observamos que na região de Goytacazes, apesar da proximidade estratégica com o Porto do Açu, grande parte das empresas ainda atua na informalidade, o que impede o atendimento às exigências fiscais e operacionais das grandes companhias instaladas ali. Meu conselho, portanto, é claro: formalização, capacitação e visão de longo prazo. Quem se organizar, investir em gestão e entender as exigências desse novo cenário terá condições reais de competir e aproveitar essa onda de crescimento. Quem não fizer isso, inevitavelmente, ficará para trás.
Mania de Saúde – Como enxerga o esvaziamento do centro de Campos?
Edvar Chagas Jr. – O esvaziamento dos centros urbanos não é um fenômeno exclusivo de Campos, mas uma tendência mundial. Ele está ligado à descentralização das cidades e às mudanças no comportamento das instituições e dos consumidores. Hoje, bancos e serviços financeiros, por exemplo, já não dependem de grandes estruturas físicas, migrando para soluções digitais ou espaços reduzidos. Isso impacta o fluxo de pessoas e exige uma reinvenção dos centros urbanos.
