
Cirurgião Oncológico
Mestre em Oncologia pelo A.C. Camargo Cancer Center
Cirurgia Oncológica Digestiva e Cirurgia Robótica
Dr. Jonatha Frazão aborda os avanços no cuidado aos pacientes em nossa região
Setembro foi marcado pelas ações de conscientização sobre o câncer de estômago, mas a atenção à doença não deve terminar com o calendário. Em suas fases iniciais, o tumor pode provocar sintomas semelhantes aos de problemas digestivos comuns. Perda de peso sem causa aparente, falta de apetite, sensação de estômago cheio após pequenas refeições, anemia e desconforto persistente na parte superior do abdome merecem investigação.
Segundo o Cirurgião Oncológico Dr. Jonatha Frazão, Especialista em Oncologia Digestiva e Cirurgia Robótica, quando existe suspeita, a endoscopia digestiva alta é fundamental, pois permite visualizar o estômago e realizar biópsias. “O Japão, referência mundial no controle do câncer gástrico, demonstra a importância do diagnóstico precoce: a ampla utilização da endoscopia permite identificar muitos tumores em estágios iniciais, quando são maiores as possibilidades de tratamento curativo”.
O tratamento também mudou
Durante muito tempo, falar em câncer de estômago significava pensar quase imediatamente em cirurgia. Hoje, em muitos pacientes com doença localizada ou localmente avançada, o tratamento pode começar antes da operação, com quimioterapia e, em situações específicas, incorporação da imunoterapia. “Os avanços recentes reforçam a importância de que o paciente seja acompanhado por uma equipe dedicada aos tumores gástricos desde o diagnóstico. Isso significa que nem sempre operar primeiro é a melhor opção. Cirurgião oncológico, oncologista clínico, endoscopista, radiologista e patologista participam da definição não apenas de se é possível operar, mas principalmente de quando operar e qual sequência de tratamentos oferece a estratégia mais adequada para cada paciente”.
A cirurgia, entretanto, continua sendo um dos principais pilares do tratamento com intenção curativa. “Dependendo da localização e da extensão do tumor, pode ser necessária a retirada de parte ou de todo o estômago. Além disso, é fundamental realizar uma linfadenectomia adequada — a retirada dos linfonodos ao redor do órgão. É justamente nessa etapa, realizada junto a importantes vasos sanguíneos, que precisão técnica e experiência fazem diferença”.
Da cirurgia aberta à cirurgia robótica
A forma de realizar essas operações, de acordo com Dr. Jonatha, também evoluiu. “Na cirurgia robótica, o cirurgião trabalha com visão tridimensional ampliada e instrumentos articulados, recursos particularmente úteis em procedimentos complexos que exigem dissecção precisa ao redor dos vasos, retirada dos linfonodos e reconstrução do trânsito digestivo”.
Segundo ele, estudos contemporâneos sustentam a gastrectomia robótica como uma alternativa segura e viável em pacientes selecionados, com resultados favoráveis em alguns desfechos perioperatórios. “Mas existe um princípio que não pode ser perdido quando falamos em inovação no tratamento do câncer: o robô é uma ferramenta; a estratégia oncológica continua sendo definida pelo conhecimento da doença, pela indicação adequada e pela experiência da equipe”.
Para pacientes de Campos dos Goytacazes, Macaé e de outras cidades da região, a incorporação da cirurgia robótica também aproxima tratamentos de alta complexidade que historicamente estiveram concentrados nos grandes centros. “Mais importante do que disponibilizar uma nova tecnologia é utilizá-la dentro de uma assistência integrada e seguindo os mesmos princípios oncológicos dos centros especializados. O câncer de estômago representa bem essa transformação. Diante do diagnóstico, tão importante quanto perguntar ‘é possível operar?’ é compreender quando operar, como operar e quais tratamentos devem fazer parte dessa estratégia”.
