Câmara hiperbárica ganha espaço em diferentes áreas da medicina

Mastologista e cirurgião plástico explicam quando a terapia é indicada e como ela pode auxiliar a recuperação dos pacientes

Existem tecnologias que surpreendem não apenas pelo que fazem, mas também pelas possibilidades que revelam à medida que se tornam mais conhecidas. Esse é o caso da câmara hiperbárica. Ao auxiliar no tratamento de feridas complexas e favorecer diferentes processos de cicatrização, ela abre caminho para aplicações em diversas áreas da medicina, revelando um potencial que muitas pessoas ainda desconhecem. Em Campos dos Goytacazes, a OxyVita oferece esse recurso terapêutico, que vem auxiliando na recuperação de pacientes de diferentes especialidades.

Um exemplo, nesse sentido, é a mastologia, que ilustra como a oxigenoterapia hiperbárica contribui para ampliar as perspectivas de cuidado. “Na mastologia e na cirurgia reconstrutora da mama, a oxigenoterapia hiperbárica pode ser considerada como tratamento coadjuvante em situações selecionadas, sobretudo diante de sinais de sofrimento isquêmico ou comprometimento de retalhos, enxertos cutâneos ou do complexo aréolo-papilar”, afirma a Cirurgiã e Mastologista Dra. Maria Nagime. “A avaliação deve ser feita em conjunto pela equipe cirúrgica e pelo médico responsável pela medicina hiperbárica, após examinar a viabilidade do tecido e investigar causas potencialmente corrigíveis, como problemas de perfusão ou compressão local”, acrescentou.

Dra. Maria Nagime – Cirurgiã e Mastologista

Segundo Dra. Maria Nagime, quando indicada para um retalho ou enxerto comprometido, a OHB tende a ser considerada o mais cedo possível após o reconhecimento do problema, sem substituir as medidas cirúrgicas ou clínicas necessárias. “Em pacientes com risco elevado – por exemplo, em determinados tecidos previamente irradiados ou com perfusão deficiente, assim como pacientes diabéticos e sabidamente com cicatrizações prévias complicadas – eu costumo indicar de rotina. A decisão deve ser individualizada e baseada no quadro clínico, no tipo de reconstrução, na evolução do tecido e na relação entre benefícios esperados, riscos e disponibilidade do tratamento. A evidência específica para reconstrução mamária ainda é composta principalmente por estudos observacionais; na prática clínica, podendo proporcionar o uso da hiperbárica vemos que é indiscutível a superioridade em relação ao pós-operatório habitual”, ressalta.

Dra. Maria Nagime comenta ainda como a oxigenoterapia hiperbárica beneficia o processo de recuperação. “Na OHB, a paciente respira oxigênio em concentração elevada em um ambiente pressurizado. Em tecidos com perfusão comprometida, esse tratamento pode aumentar temporariamente a disponibilidade de oxigênio e contribuir para o suporte à cicatrização. Os resultados, porém, variam conforme a causa e a gravidade do comprometimento, o momento de início e os demais cuidados realizados. A melhor opção é sempre individualizar o tratamento”.

Pacientes de cirurgia plástica também podem se beneficiar

Quem também vem percebendo os benefícios da oxigenoterapia hiperbárica é o médico cirurgião plástico Dr. Rodrigo Guimarães, que aborda as diferentes possibilidades de aplicação no contexto cirúrgico. “Na cirurgia plástica, a medicina hiperbárica é utilizada no pós-operatório das cirurgias em geral, já que ela acelera o processo de recuperação. Mas ela é indicada também em casos de intercorrência. Ou seja: se o paciente apresentou dificuldade de cicatrização em alguma área, a medicina hiperbárica consegue potencializar o processo cicatricial. Sendo assim, ela pode ser indicada no pós-operatório normal de rotina, em casos de intercorrência e, também, na parte de prevenção. Afinal, quando o paciente apresenta algum risco de complicação, a oxigenoterapia hiperbárica pode ser utilizada antes mesmo do procedimento”, disse.

Dr. Rodrigo Guimarães – Médico cirurgião plástico

Dr. Rodrigo Guimarães revela, por fim, como o tratamento favorece os pacientes em sua especialidade. “A oxigenoterapia hiperbárica gera uma hiperoxigenação no tecido. Isso é importante porque o paciente, após a cirurgia, apresenta uma demanda aumentada para realizar esse processo de recuperação. Então, na rotina do pós-operatório, a hiperoxigenação vai melhorar os tecidos e a resposta do organismo, contribuindo para a recuperação dos pacientes. Em alguns casos, quando determinada área do corpo apresenta falta de oxigênio, essa hiperoxigenação também ajuda a melhorar a viabilidade e a recuperação dessa região. Portanto, a terapia hiperbárica tem um efeito tanto sistêmico quanto local”.