História, protagonismo feminino e os desafios da Inteligência Artificial na advocacia
Neste mês de julho, a 12ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), em Campos dos Goytacazes, completa 60 anos de uma trajetória dedicada à defesa das prerrogativas da advocacia e da cidadania. Esse aniversário, porém, não é como os outros: além do marco de mais de meio século de entidade, ele ocorre em um momento histórico e simbólico para a instituição, após a eleição da advogada Dra. Mariana Lontra Costa como primeira mulher a presidir a 12ª Subseção da OAB, para o triênio 2025-2027.
Desde a vitória de Dra. Mariana, a OAB Campos tem vivenciado um período de fortalecimento de suas atividades e diálogo com o Poder Judiciário, demais órgãos públicos, sociedade civil e universidades. A gestão vem investindo na ampliação de suporte aos profissionais, em termos de infraestrutura, capacitações e eventos de integração, ultrapassando inclusive as barreiras regionais, já que, atualmente, a subseção compreende os municípios de Campos, São João da Barra, São Francisco de Itabapoana, Cardoso Moreira e Italva.
“Celebrar os 60 anos da OAB Campos é honrar a história construída por tantas gerações de advogados e advogadas que contribuíram para o fortalecimento da nossa instituição. Ao mesmo tempo, é olhar para frente, buscando cada vez mais qualificação, integração e valorização da advocacia, sempre com o compromisso de defender as prerrogativas profissionais e a cidadania”, destacou Dra. Mariana.
A presidente considera que alcançar e comemorar o sexagenário da Ordem representa não apenas uma celebração do passado, mas também um compromisso com o futuro da advocacia regional. E, de fato, entre tradição e modernidade, a advocacia local chega a essa nova idade cronológica pronta para, de certa forma, atualizar suas “configurações”.
O avanço da Inteligência Artificial e uma série de debates sobre ética, responsabilidade e os limites da tecnologia na atividade jurídica, por exemplo, têm sido objeto de pesquisas e de atividades desenvolvidas pela Comissão de Inovações Tecnológicas da Subseccional, presidida pela Dra. Ana Carolina Silva Gomes Machado, que nos concedeu uma entrevista sobre o tema.
Mania de Saúde – Quais são as principais dificuldades em relação à IA enfrentadas neste novo contexto em que a OAB Campos completa um ciclo de mais de meio século?
Dra. Ana Carolina – Advogados mal-intencionados vêm utilizando a técnica de prompt injection, que consiste na inserção de comandos ocultos (como texto branco em fundo branco) em documentos processuais para induzir as ferramentas de Inteligência Artificial do adversário a gerar defesas fracas ou sem embasamento. Essa má conduta vem sendo considerada litigância de má-fé e fraude processual, já tendo casos de condenação em multa para advogados que utilizaram. Além disso, não podemos deixar de citar que criminosos estão usando Inteligência Artificial para aplicar o golpe “do falso advogado”. Os golpistas clonam a voz de profissionais conhecidos, usam fotos e dados reais de ações para extorquir clientes, que acabam sofrendo prejuízo financeiro.
Mania de Saúde – Apesar dos perigos, a Inteligência Artificial é importante para a advocacia atual?
Dra. Ana Carolina – A Inteligência Artificial pode atuar como uma poderosa aliada da advocacia, desde que utilizada com ética, coerência e senso crítico, otimizando o tempo na triagem de documentos complexos e acelerando a análise de grandes volumes de dados. No entanto, a tecnologia nunca deve substituir o discernimento e a responsabilidade técnica do advogado. O sucesso de sua aplicação depende obrigatoriamente de uma rigorosa revisão humana do conteúdo produzido, garantindo que a precisão técnica e o fator estratégico humano permaneçam como os pilares de defesa dos direitos do cliente.
