Encontro reúne lideranças para discutir o turismo religioso na região
A fé move milhões de pessoas todos os anos, levando visitantes a destinos marcados por histórias e manifestações religiosas. Com planejamento e investimento, esse potencial pode fortalecer o turismo e gerar novas oportunidades econômicas na região. Diante desse cenário, o Sebrae Campos sediou o Primeiro Encontro de Turismo Religioso da Costa Doce, reunindo empresários, pesquisadores, entidades, organizações religiosas e profissionais liberais com a finalidade de alavancar a engrenagem do desenvolvimento turístico de toda a região da Costa Doce, que compreende os municípios de Campos dos Goytacazes, Cardoso Moreira, São Fidélis, São Francisco de Itabapoana e São João da Barra, por meio de diferentes frentes.
Neste primeiro momento, o encontro contou com o apoio institucional de organizações como o SEBRAE RJ, SENAC, CIDENF, Líder Norte Fluminense, Diocese de Campos, Secretaria de Turismo dos Municípios da Costa Doce e participação especial do Observatório Internacional de Turismo Religioso Laico, tendo como principais pautas: Caminhada de Santo Amaro com foco no turismo receptivo; continuidade do projeto Caminhos de Fé; apresentação digital das igrejas no site do CDC&VB; cases de sucesso de Turismo Religioso no estado do Rio e interações entre os participantes.
Precursor de diversos apontamentos hoje explorados na região, o “Caminhos Turísticos do Norte Fluminense”, Projeto de Extensão da UENF, coordenado pela Professora Doutora Maria da Glória Alves, foi um dos grandes destaques dentre as palestras ministradas, evidenciando roteiros reais, possíveis e transversais, como caminhos religiosos, rota dos solares, roteiros geológicos, ecológicos e industriais, Caminhos de Dom Pedro II, turismo rural, aquático e outros.
“São variadas as frentes em que podemos trabalhar. Em Campos, por exemplo, existem igrejas cujas rochas são patrimônio da humanidade, como é o caso do Gnaisse Facoidal, presente, por exemplo, na Igreja Santo Antônio, em Guarus, o que alia turismo arquitetônico, histórico, religioso e geológico. Existem outros templos, que possuem rochas raras advindas da Europa e também do Rio de Janeiro. Temos até rochas com fóssil”, disse a cientista Dra. Maria da Glória.
Para José Ricardo Menezes, empresário e presidente da Visite a Costa Doce, entidade privada, sem fins lucrativos e apartidária, organizadora do encontro, a prioridade é iniciar suas ações a partir do turismo religioso já consolidado na Festividade de Santo Amaro, maior tradição popular do município, que remonta aos tempos dos jesuítas e concentra o maior número de elementos culturais ao longo de mais de uma semana de festejos, chegando a reunir entre dezenas e centenas de milhares de devotos na Baixada Campista.
“Temos que desenvolver o que já temos de bom para transformar isso em geração de emprego e de renda. Todas essas peças devem trabalhar juntas. Em vez de gastar tempo criando atrativo turístico, nós precisamos transformar nossos potenciais em produto e vendê-los para fora. Precisamos investir em turismo receptivo. Infelizmente, no momento, o empresariado está muito desacreditado. Todavia, esse é o papel do Convention, de fazer acontecer, unir os parceiros certos para que todos possam caminhar juntos e desfrutar do desenvolvimento turístico”, declarou José Ricardo.
Segundo Padre Renan, administrador da Paróquia Santuário Diocesano de Santo Amaro, a localidade ainda carece de investimentos mais perenes, com um olhar muito além do 15 de janeiro, data de celebração do Santo. “Santo Amaro é um lugar onde hoje quem quer empreender encontra muita dificuldade, não tem hospedagem, há poucos restaurantes, não existem banheiros com chuveiros para acolher os peregrinos, e falta o aporte do poder público. Após o mês de janeiro, Santo Amaro acaba se tornando apenas o caminho de passagem para Farol de São Tomé para quem trabalha offshore. Às vésperas da Festa do Padroeiro, de fato as equipes dos entes públicos nos auxiliam, mas depois acaba. Temos uma bela igreja monumental e histórica. Nossos bens são mais que materiais, são as pessoas, são os peregrinos. A Igreja não está divorciada da sociedade, somos parceiros. O bem das pessoas reflete no bem das pessoas e o nosso povo é religioso”.
