Andréa Muniz

Publisher, empresária da comunicação, jornalista, engenheira de produção. Com experiência de 25 anos à frente do Mania de Saúde.
Andréa Muniz

Descobri um lugar onde o tempo não corre

Da esquerda: O Chef Leonardo Morellato, proprietário do Mannaia Restaurante, eu, Thiago Muniz, Luíza Werneck e seu marido João Machado na aula do Risotto de Pêra com Gorgonzola, com nossos pratos prontos

Nunca imaginei que um prato de risoto pudesse me ensinar tanto. Entrei na primeira aula pensando que aprenderia técnicas, combinações de ingredientes e o ponto correto do arroz. Saí dali com algo muito maior: a estranha sensação de que, por algumas horas, eu havia me esquecido de produzir.

Não havia pauta, fechamento de edição, decisões, prazos ou cobranças. Havia apenas o fogo aceso, o movimento paciente da colher, pessoas reunidas pelo simples prazer de aprender e uma boa dose de cultura para enriquecer ainda mais cada aula.

Eu sentia falta de encontrar algo para fazer como hobby. Confesso que a culinária estava completamente fora do meu radar. Minha querida amiga Lana Maria já havia me convidado para fazermos um curso de gastronomia, mas recusei, inicialmente, pela duração dos cursos tradicionais.

Em outra oportunidade, durante uma conversa com a fisioterapeuta Flávia Miranda, ela me contou sobre os cursos de curta duração e sobre a possibilidade de participar de aulas avulsas ministradas pelo chef Leonardo Morellato, seu namorado e sócio, no Restaurante Mannaia. Foi então que surgiu a ideia de me permitir experimentar algo novo, que me desafiasse. Até porque a Sophya cozinha muito melhor do que eu.

Inscrevi-me no curso de risoto. Foram quatro aulas. Uma verdadeira imersão na culinária italiana, conduzida com maestria pelo chef.

Outra experiência muito interessante foi o fato de todos experimentarem os pratos preparados pelos colegas. Pode parecer algo simples, mas eu jamais imaginava provar a comida servida no prato de outra pessoa.
Ali percebi que nem sempre sair da zona de conforto exige grandes mudanças. Às vezes, basta aceitar experimentar o prato e a experiência do outro.

Também tive a oportunidade de levar a Sophya para uma das aulas. Além da experiência gastronômica, criamos memórias que levarei para sempre. Em outro encontro, levei minha amiga Sheila. Ela apenas observou, bebeu um bom vinho, degustou os pratos e, curiosamente, foi muito prazeroso cozinhar para ela.
E sabe o que me motivou a procurar um hobby e, mais do que isso, a dividir esta experiência com vocês? Um post da psicóloga Nathália Gomes, que acabou inspirando a excelente matéria publicada na página 9 desta edição.

Identifiquei-me imediatamente com o que ela escreveu. Eu me sentia estranha por sequer saber qual hobby gostaria de ter. Sentia culpa em reservar um tempo para algo que não fosse trabalho e, sinceramente, nem sabia por onde começar. Mas, quando passei a refletir sobre isso, as pessoas ao meu redor começaram, naturalmente, a fazer parte desse processo.

Sincronicidade?

Talvez esse seja um dos maiores presentes da vida adulta: descobrir que ainda existe espaço para fazer algo que não aumenta o faturamento, não melhora o currículo e não rende nenhum título. Apenas nos devolve a nós mesmos. No meu caso, esse reencontro veio servido em um prato de risoto.

Curiosamente, foi quando deixei de produzir resultados que comecei a produzir memórias.

E descobri que algumas das melhores receitas da vida não são servidas à mesa, mas ao coração.