Você sente dor ao caminhar?

Dra. Aline Yamaguti desvenda a Doença Arterial Periférica

Imagem ilustrativa - Você sente dor ao caminhar?Você já sentiu dor, cansaço ou peso nas pernas ao caminhar? Pois é. Em muitos casos, esse incômodo pode diminuir após alguns minutos de repouso. Mas, em outros, ele pode ser um indicativo de Doença Arterial Periférica. Essa condição se manifesta quando o fluxo sanguíneo para os músculos ocorre de maneira reduzida, geralmente em decorrência da aterosclerose, que dificulta a circulação adequada.

A aterosclerose caracteriza-se pelo acúmulo de placas de gordura, colesterol e demais substâncias nas paredes das artérias, limitando o fluxo sanguíneo, podendo levar a complicações cardiovasculares e até mesmo risco de amputações em casos mais avançados. O grande problema da Doença Arterial Periférica é que ela pode avançar silenciosamente ao longo de anos e, por isso, ignorar seus primeiros sinais, especialmente a dor ao caminhar, pode fazer toda a diferença na qualidade de vida do paciente.

Dra. Aline Yamaguti
Dra. Aline Yamaguti

Segundo Dra. Aline Yamaguti, médica angiologista e ecografista vascular, o sintoma mais clássico é a claudicação intermitente (dores musculares que pioram durante a caminhada e atividades físicas, mas melhoram após o repouso, como se fosse uma “angina” na perna), além de outros como câimbras, alteração de temperatura, diminuição dos pelos, dificuldade de cicatrização de feridas e palidez.

Dra. Aline informa que a doença pode ser diagnosticada mediante exame físico e de imagem, como o Doppler (ultrassom que avalia o fluxo sanguíneo e localiza pontos de estreitamento ou oclusão). Ainda de acordo com a médica, quanto mais precocemente for detectada a DAP, mais o paciente pode alcançar resultados positivos com o tratamento clínico, que, dependendo do caso, pode ser pautado também por orientações sobre estilo de vida, controle dos fatores de risco e até mesmo prescrição medicamentosa.

Apesar da doença não ter cura, é possível controlá-la e estabilizá-la por meio do tratamento adequado, preferencialmente em sua fase inicial, promovendo assim melhor qualidade de vida à pessoa diagnosticada. “A resposta é progressiva e depende da aderência do paciente ao que for prescrito, principalmente cessar o tabagismo quando este for fumante”, disse Dra. Aline.

Dentre os elementos que contribuem para o surgimento da condição, estão diabetes, hipertensão, dislipidemia e tabagismo. Pessoas acima de 50 anos de idade também representam um grupo com maior propensão a desenvolver a DAP.

Outro ponto que ressalta a necessidade de ser feita uma avaliação profissional é a importância de diferenciar a Doença Arterial Periférica de outras dores, como as musculares, do nervo ciático, articulares (artrose) e varizes. De acordo com Dra. Aline, a maior distinção está na intermitência da dor, relacionada ao uso ou movimento dos membros inferiores.
Contudo, é crucial buscar um angiologista ao primeiro sinal de dor nas pernas, a fim de detectar o seu real significado e, se necessário, iniciar o quanto antes os procedimentos capazes de evitar a progressão da doença.