Conheça os detalhes do projeto que vai transformar o abastecimento de Campos e região

Quantas vezes você chegou ao hortifruti do bairro ou ao supermercado de sua predileção e sentiu falta de uma verdura ou um legume que precisava? Já aconteceu também de encher a cesta de frutas, mas tomar um susto ao chegar ao caixa e conferir o preço de cada item? Pois é. Essa realidade, tão comum no dia a dia das pessoas, está prestes a ser transformada em nossa região. O motivo é a Central de Abastecimento de Campos dos Goytacazes (Ceascam), que teve sua pedra fundamental lançada recentemente e pretende reconfigurar a logística de alimentos em nossa região.
O empreendimento, que foi projetado para funcionar na área da antiga Central de Abastecimento (Ceasa), em Guarus, já conta com Licença Ambiental de Instalação e terá as obras iniciadas em breve, com previsão de funcionar dentro de dois a três anos. A fim de abordar a novidade e destacar o que muda na vida dos produtores e do consumidor final, o Mania de Saúde ouviu o empresário Alfredo Dieguez, responsável pela secretaria de Abastecimento, Aquicultura e Pesca. Ele detalha como o Ceascam pretende mudar o cenário econômico regional, podendo ainda se tornar um polo de investimentos e geração de empregos.
Mania de Saúde – O Ceascam é uma demanda antiga, que mobilizou lideranças políticas e produtores rurais. Quais são os entraves da produção regional que o projeto busca solucionar?
Alfredo Dieguez – O grande problema é que muitos produtores locais não têm para onde escoar sua produção. Eles acabam ficando na mão de atravessadores que, por já terem espaço nas centrais de abastecimento de outras regiões, sobretudo das capitais, adquirem os produtos por um valor muito inferior ao preço de mercado. Isso desestimula o produtor, que fica refém desse sistema. Muitas vezes, o atravessador leva a mercadoria, não consegue vender e acaba devolvendo, gerando ainda mais prejuízo para quem produziu. Outro problema é que, no final, esse dinheiro não circula dentro do nosso município. O impacto, portanto, é enorme. A retomada do Ceascam vem justamente para enfrentar esse gargalo e impulsionar a economia regional.
Mania de Saúde – Como seria esse impulsionamento na prática?
Alfredo Dieguez – Se o produtor tem para onde escoar a produção e consegue comercializar a preços de mercado, ele passa a contratar mais, a investir na própria terra, expandindo o seu negócio e movimentando a economia como um todo. Durante a elaboração do projeto, visitei diversas centrais de abastecimento que comprovam a importância dessa logística. É o caso de Cariacica, que atende não só ao Espírito Santo, mas a muitos municípios do Rio de Janeiro. Hoje, inclusive, dependemos bastante do que vem de lá, o que acaba encarecendo os produtos, devido ao transporte. Por isso é comum vermos tantos caminhões encostados em pontos comerciais. Uma central de abastecimento por aqui mudaria esse panorama. Um supermercado, por exemplo, não adquire tomate em um lugar e batata em outro: ele vai direto à central, onde encontra tudo o que precisa, fazendo a compra de forma mais eficiente. Tendo uma central dessas aqui na cidade, o reflexo na economia é muito grande.
Mania de Saúde – O que diferencia o Ceascam de outras centrais?
Alfredo Dieguez – Primeiro é a área disponível, pois haverá estacionamento para cerca de 700 veículos e amplo espaço para expansão. Para se ter uma ideia, a central de Cariacica tem cerca de 120 mil metros quadrados, enquanto a nossa já nasce com 240 mil. Ou seja: é o dobro de área de uma central de abastecimento que é referência na atualidade. Isso nos dá condições de crescer e atrair empresas, virando assim um polo de geração de emprego e renda.
Mania de Saúde – E qual o benefício para o consumidor final?
Alfredo Dieguez – Além de otimizar a cadeia produtiva, o Ceascam amplia a capacidade de atrair novos negócios. Com a redução do frete, os produtos devem chegar à mesa da população mais baratos (com estimativa de queda entre 10% e 20%) e também mais rápido. Mas não só isso. Afinal, nem sempre o consumidor tem consciência de tudo o que envolve o setor do agro, mas ele envolve desde insumos e implementos até profissionais especializados, como técnicos e agrônomos. Isso para não falar de tecnologia, que hoje oferece um campo enorme de crescimento, por meio de drones, tablets, aplicativos de gestão e práticas mais sustentáveis. Se isso funciona em outros locais com condições menos favoráveis de logística, por que não funcionaria aqui, onde temos proximidade com o porto, dispondo também de aeroporto, riqueza de solo, diversidade de culturas agrícolas e água em abundância?
