Dengue: atenção redobrada com as crianças

O Brasil tem visto o número de casos de dengue se multiplicar nas últimas semanas. Se em adultos os sintomas são conhecidos, como saber no caso de crianças? A médica pediatra Dra. Laura Dengue: atenção redobrada com as criançasMachado nos fala sobre o assunto. “A infecção pelo vírus da dengue pode variar desde assintomática até sintomas graves. Quando sintomática, pode se manifestar em três fases: febril, crítica e recuperação. Na fase febril, há febre alta (que pode durar de dois a sete dias) associada à dor de cabeça, prostração, dor nos olhos. Falta de apetite, vômitos e diarreia podem estar presentes. A criança também pode apresentar vermelhidão no corpo, que muitas vezes vem acompanhada de muita coceira. A fase crítica se inicia quando o paciente para de apresentar a febre (do terceiro ao sétimo dia de doença) e é quando precisamos de muita atenção, pois nessa fase podem surgir os sinais de gravidade. Precisamos ficar atentos à dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tonteira, sangramento, sonolência ou irritabilidade, além de outros sinais que podem ser identificados no exame físico. A vigilância clínica é essencial para conduzir os casos graves da melhor forma possível. Na fase de recuperação é necessária a observação de complicações, como as infecções bacterianas secundárias. Sarampo, Rubéola, escarlatina, doença de Kawasaki, Influenza, COVID-19, Infecção pelo Zika vírus, Chikungunya, febre maculosa, meningococcemia, são alguns exemplos de doenças que se manifestam de forma semelhante à Dengue, sendo muitas vezes difícil ter essa diferenciação clinicamente. Os exames laboratoriais e os testes diagnósticos nos ajudam a direcionar para a hipótese clínica. Em situações de epidemia como a que estamos vivendo, temos sempre que pensar na possibilidade de dengue”.

Dra. Laura - Dengue: atenção redobrada com as crianças
A médica pediatra Dra. Laura Machado

A médica prossegue falando sobre prevenção e tratamento. “O uso de repelentes atualmente tem que fazer parte da nossa rotina. Existem várias marcas no mercado e vários tipos de substâncias. Sabe-se que a substância Icaridina é reconhecida como a mais potente contra o Aedes Aegypti, porém, a escolha do repelente deve ser bem orientada pelo pediatra assistente. Além disso, deve-se ter cuidado na sua aplicação. Nunca colocar direto na mãozinha da criança, respeitar o número de vezes permitido para a reaplicação de acordo com a idade, e se for usar hidratante ou protetor solar, o repelente deve ser o último a ser aplicado, depois que a pele estiver bem sequinha. Em bebês pequenos que não podem usar repelente deve-se usar roupinhas compridas e mosquiteiros, e evitar a exposição. Evitar água parada é fundamental para prevenir a proliferação dos mosquitos. Em crianças que apresentam sinais e sintomas suspeitos de dengue, é necessário colher exames laboratoriais que incluem o hemograma e bioquímica; além do exame NS1 até o quinto dia de doença. Após o quinto dia, pode-se colher a sorologia para dengue. Em casos selecionados são necessários exames de imagem como radiografia de tórax, ultrassonografia e ecocardiograma. Hidratação é primordial no tratamento da dengue, mas precisa ser sempre muito bem calculada de acordo com o peso. O tipo de hidratação depende do quadro clínico do paciente, ou seja, conforme a gravidade do paciente, a hidratação será prescrita a nível ambulatorial (hidratação oral) ou hospitalar (venosa). Para pacientes sem sinais de gravidade, avaliados pelo pediatra, pode-se fazer repouso em casa, antitérmico para a febre (orientado pelo médico), além da hidratação oral prescrita de acordo com o peso do paciente. Esse paciente precisa ser reavaliado clinicamente com frequência para a monitorização dos sinais de gravidade”.

ATENÇÃO!

Crianças com diagnóstico de dengue podem evoluir de forma grave, como o choque hipovolêmico. Como em crianças a doença pode apresentar-se por sintomas inespecíficos, como prostração, sonolência, recusa alimentar, vômitos e diarreia, o início da doença pode passar despercebido e ela ser diagnosticada já na forma grave, por exemplo. Em menores de dois anos, os sintomas são ainda mais inespecíficos, como o choro persistente, cansaço, irritabilidade, podendo ser muitas das vezes confundidos com outras doenças próprias da idade. Diante disso, é preciso ter atenção às mudanças do estado geral das crianças, e valorizá-las, principalmente se estiverem acompanhadas de febre. Caso a criança já tenha o diagnóstico de dengue e está tratando em casa, observar os sinais de alarme e levar o paciente para reavaliação médica periódica, inclusive na fase de recuperação, é fundamental.