Quantas vezes você abriu o Instagram e se deparou com um reels falando de uma técnica revolucionária para mudar de vez a aparência? Pois é. O apelo estético nunca foi tão disseminado quanto na atualidade. A cada novo vídeo ou postagem nas redes sociais, um tratamento estético ganha os holofotes e, de repente, várias pessoas começam a cogitar aquela “inovação”. Mas a verdade é que nem tudo o que viraliza entrega o melhor resultado. E, na cirurgia plástica, essa diferença pode estar justamente naquilo que não aparece em um vídeo de poucos segundos.

Um exemplo, nesse sentido, é o Deep Plane Facelifting, uma técnica de rejuvenescimento facial profundo, que vem ganhando visibilidade entre os famosos e passou a ser associada à promessa de um rosto mais jovem, sem aquele aspecto artificial do passado. Com toda essa exposição, tão comum em tempos de Instagram, muitos podem achar que estamos diante de uma nova era na cirurgia de face, mas a realidade, no fundo, é um pouco mais complexa.
Além de não ser necessariamente uma inovação, já que a técnica foi descrita originalmente na década de 1990, a literatura já vem discutindo se o Deep Plane oferece vantagens em relação ao facelifting convencional. Em 2025, por exemplo, uma revisão sistemática e meta-análise reuniu 21 estudos, totalizando 2.896 pacientes, para avaliar o Deep Plane e o facelift baseado no SMAS, uma abordagem convencional. A conclusão foi de que ambas proporcionam resultados robustos e de longo prazo, com alta satisfação dos pacientes. Outro estudo, também de 2025, apontou que os dados disponíveis ainda não permitem dizer que uma técnica seja superior à outra, ressaltando que a escolha deve ser individualizada.
“Hoje em dia, é muito comum nos depararmos com muitos anúncios e novidades na área estética, mas a verdade é que, no atendimento concreto, cada paciente vai apresentar uma necessidade distinta para o seu caso e a escolha da técnica atenderá a esse critério”, afirma a cirurgiã-plástica Dra. Érika Guerra. “No caso do Deep Plane, os estudos demonstram que os resultados são muito semelhantes à cirurgia convencional em termos de durabilidade e objetivo alcançado. Isso mostra que, muitas vezes, o paciente ouve falar de técnicas revolucionárias, como se fossem extremamente inovadoras, que podem até chamar a atenção, mas, na prática, o objetivo e os resultados são semelhantes aos das técnicas que já utilizamos”, disse.
O facelift, segundo a cirurgiã, é indicado para reposicionar os tecidos do rosto que sofreram com a flacidez, devolvendo o contorno natural e deixando a aparência mais rejuvenescida, sobretudo quando outros procedimentos não conseguiriam alcançar o efeito desejado. Isso significa, portanto, que não basta escolher uma técnica pela popularidade ou “inovação”. A definição deve levar em conta as características e necessidades de cada paciente.
A boa notícia é que a própria mudança de comportamento do público em relação à cirurgia plástica já vem contribuindo para esse entendimento. “Hoje vemos boa parte da população adotando um estilo de vida diferente do passado, com hábitos mais saudáveis, cuidando mais do corpo e da alimentação. Essa mudança influenciou a cirurgia plástica, já que muitas pessoas não desejam seguir um padrão estético e sim reforçar a própria individualidade, a própria identidade. Isso facilita até que compreendam melhor nossas indicações. Fica mais fácil mostrar que cada resultado é individualizado e obedecerá às características de cada paciente”, observou Dra. Érika. “Sendo assim, o primeiro passo para qualquer mudança estética é buscar um cirurgião capacitado, a fim de estabelecer uma relação de confiança, avaliar queixas e necessidades para, aí sim, definir o procedimento mais adequado, buscando sempre aquilo que fará sentido para aquele paciente”, concluiu.
