Quando se fala em desenvolvimento infantil, é comum que pais e familiares fiquem atentos aos chamados marcos motores: sustentar a cabeça, rolar, sentar, engatinhar e andar. Mas, embora essas conquistas sejam importantes, também é fundamental observar a qualidade desses movimentos. Na fisioterapia pediátrica, não basta apenas verificar se o bebê atingiu determinada habilidade, mas como ele a realiza, já que dois bebês podem alcançar o mesmo marco do desenvolvimento na mesma idade e, ainda assim, apresentar padrões motores completamente diferentes.
É o que nos conta o Fisioterapeuta Osteopata Dr. Rafael Malafaia Quintan, da Osteoclinic Kids, que é referência nesse segmento em nossa região. “Os movimentos de boa qualidade são caracterizados por simetria, coordenação, fluidez e variedade. Durante o desenvolvimento normal, espera-se que o bebê explore diferentes posições e descubra diversas formas de interagir com o ambiente. Essa variedade de experiências é essencial para o amadurecimento do sistema nervoso e para a construção de habilidades futuras mais complexas”, diz Dr. Rafael. “Por outro lado, padrões repetitivos, assimetrias persistentes, rigidez ou dificuldades para mudar de posição podem indicar a necessidade de uma avaliação mais detalhada. Isso não significa necessariamente a presença de uma alteração importante, mas pode representar um sinal de que o desenvolvimento merece acompanhamento mais próximo”, acrescentou.
Nos primeiros meses de vida, como lembra Dr. Rafael, o cérebro do bebê apresenta intensa capacidade de adaptação e aprendizado. Cada movimento realizado, então, contribui para a formação de conexões neurais responsáveis pelo controle motor, equilíbrio, coordenação e percepção corporal. “Por esse motivo, a qualidade das experiências motoras é tão importante quanto a aquisição das habilidades em si. É justamente nesse ponto que a fisioterapia pediátrica atua, tanto em bebês com desenvolvimento típico quanto naqueles com desenvolvimento atípico. A diferença não está apenas nas técnicas utilizadas, mas principalmente nos objetivos e na intensidade do acompanhamento”.
Nos bebês típicos, o tratamento fisioterapêutico costuma ter caráter preventivo e orientativo. O foco é favorecer experiências motoras adequadas, corrigir pequenas assimetrias, orientar os pais sobre posicionamento e garantir que o bebê explore seu potencial de movimento da forma mais eficiente possível. Muitas vezes, algumas consultas e ajustes na rotina já são suficientes para promover uma evolução satisfatória. Já nos bebês atípicos, que podem apresentar condições neurológicas, genéticas ou outras alterações que impactam o desenvolvimento, o acompanhamento geralmente é mais frequente e individualizado. “O objetivo continua sendo promover movimentos de qualidade, mas há uma atenção maior à prevenção de compensações, ao estímulo de habilidades específicas e à maximização da funcionalidade da criança ao longo do crescimento”, disse.
Segundo Dr. Rafael, apesar dessas diferenças, o princípio fundamental é o mesmo para todos os bebês: desenvolver movimentos cada vez mais organizados, eficientes e funcionais. “A fisioterapia moderna não se concentra apenas em ‘fazer o bebê alcançar um marco’, mas em garantir que ele construa cada etapa do desenvolvimento sobre bases sólidas e de qualidade. Lembrando que cada conquista tem seu tempo e cada pequeno avanço merece ser celebrado. Com estímulo adequado e acolhimento, o desenvolvimento acontece de forma única e especial”.
