Educadores abordam a necessidade do ensino lúdico em tempos de adultização

Quem tem filhos pequenos em casa já deve ter se espantado com a maturidade que as crianças apresentam no mundo de hoje. A desenvoltura com que falam sobre certos assuntos, as referências culturais e a intimidade com a tecnologia dão a impressão de que aquela infância lúdica e divertida, repleta de brincadeiras, já parece ter ficado para trás. Mas a verdade é que, mesmo com o passar das gerações, criança precisa ser sempre criança, respeitando os limites típicos da idade para favorecer a formação do imaginário e o próprio desenvolvimento intelectual.
Nesse contexto, escolas que levam o ensino lúdico para além dos materiais didáticos, incorporando-o à concepção dos ambientes e dos métodos de aprendizagem, conseguem materializar, na prática, uma proposta pedagógica realmente voltada para cada fase da infância, visando o desenvolvimento pleno do aluno. É o que afirma Isabella Cordeiro, Coordenadora da Educação Infantil do Colégio Bittencourt, instituição que sempre fez do ensino lúdico um dos pilares de sua proposta pedagógica.
“Na Educação Infantil, o brincar é fundamental para o desenvolvimento das crianças, pois é por meio das brincadeiras que elas exploram o mundo, expressam sentimentos, desenvolvem a criatividade, a autonomia e aprendem a se relacionar com o outro. Brincando, a criança também constrói conhecimentos, resolve problemas, experimenta diferentes papéis e amplia sua compreensão da realidade de forma leve e significativa”, diz Isabella. “No Colégio Bittencourt, acreditamos nessa abordagem e valorizamos
o brincar como uma parte essencial do processo educativo, promovendo experiências que tornam a aprendizagem mais natural, prazerosa e cheia de sentido para os nossos alunos”.
A coordenadora revela que essa atuação se inicia já no berçário, onde há não só todo o cuidado e suporte oferecido para cuidar dos pequenos, como também a introdução de diversas atividades lúdicas. “Recentemente, por exemplo, implementamos o Brincar Livre, a fim de resgatar aquelas brincadeiras antigas, incluindo corrida de saco, ovo na colher, entre várias outras. O espaço do Bittencourt é um grande diferencial para realizar esse trabalho, pois temos um pátio e um parque ao ar livre, que fazem muita diferença para as crianças. Afinal, essas atividades não só divertem, como também estimulam a psicomotricidade e o desenvolvimento motor dos pequenos”, observa a coordenadora.
O trabalho, contudo, não termina aí, já que perpassa outros segmentos. “Na sequência, temos o Infantil 1, que também explora bastante o ambiente fora da sala de aula. Já no Infantil 2 e 3, há um pouco mais de intencionalidade, contando com o apoio do SAS, que tem uma plataforma muito lúdica também. No Infantil 4 e 5, o pedagógico ganha mais espaço, mas sempre integrado às brincadeiras. E, no Infantil 5, especialmente no segundo semestre, começamos a transição para os anos iniciais do Ensino Fundamental, tudo sendo planejado para que isso aconteça de forma tranquila e segura, a fim de que eles cheguem ao primeiro ano mais preparados e familiarizados com a mudança de segmento”, disse.
O Diretor Bruno Paes Guimarães também ressalta a importância dessa metodologia. “O Bittencourt se sustenta em três pilares: o pedagógico, o esporte e o ambiente, que precisa ser acolhedor. Afinal, a criança aprende muito melhor quando ela está feliz e saudável, com vontade de ir para a escola. O ambiente, então, precisa ser leve, com espaço para ela brincar, correr e se divertir, enquanto o esporte entra como um diferencial na promoção da saúde, já que um corpo saudável favorece a aprendizagem”, frisa Bruno. “Não adianta, por exemplo, ter uma escola forte pedagogicamente, mas a criança ficar triste ao sair de casa. Da mesma forma, não adianta um ambiente alegre se ela não estiver saudável. Nosso objetivo é equilibrar esses três elementos para garantir um melhor aprendizado à criança, respeitando suas necessidades em todas as fases do desenvolvimento”.



