É possível que muitas famílias já tenham visto na TV ou nas redes sociais aquelas imagens de crianças usando um modelo diferente de capacete em seu dia a dia. Se você não sabia o que era, chegou a hora de entender: trata-se da órtese craniana, um recurso utilizado no manejo de alterações no formato do crânio em bebês, como a Plagiocefalia ou a Braquicefalia, que têm se tornado cada vez mais comuns, especialmente com as recomendações atuais de posicionamento seguro para o sono.
Afinal, o formato da cabeça do bebê é sempre motivo de atenção para muitas famílias nos primeiros meses de vida, o que explica a crescente adoção desse tipo de tratamento. Mesmo assim, para muitos pais, o uso da órtese ainda é cercado de inseguranças, levantando questionamentos: será realmente necessário? O bebê vai sentir desconforto? Quanto tempo dura o tratamento?
“Mais do que uma solução estética, o uso adequado desse recurso pode contribuir para o desenvolvimento saudável do crânio, especialmente quando associado a um acompanhamento profissional qualificado”, ressalta o Fisioterapeuta Osteopata Dr. Rafael Malafaia Quintan, da Osteoclinic Kids, que é referência nesse segmento em nossa região.
Com vasta experiência na área, ele listou as 10 principais perguntas sobre o uso da órtese craniana em bebês, a fim de oferecer informação confiável, acolher dúvidas e ajudar famílias a tomarem decisões mais seguras e conscientes sobre o cuidado com seus filhos.
1 – O que é a órtese craniana e para que serve? É um capacete feito sob medida para corrigir alterações no formato do crânio do bebê, como Plagiocefalia (cabeça achatada de um lado), Braquicefalia (achatamento atrás) e Escafocefalia (crânio alongado e estreito). Ela guia o crescimento do crânio para uma forma mais simétrica.
2 – Com que idade o bebê pode usar? Geralmente entre 5 e 12 meses, sendo ideal iniciar entre 5 e 6 meses, quando o crânio ainda é bastante moldável.
3 – Quanto tempo dura o tratamento? Depende do caso, mas costuma durar de 3 a 6 meses, em média, com uso diário de cerca de 23 horas por dia.
4 – O bebê sente dor ou desconforto? Não. A órtese não aperta o crânio. Ela apenas direciona o crescimento. Nos primeiros dias pode haver estranhamento, mas a adaptação costuma ser rápida.
5 – Pode tirar para dar banho? Sim. O capacete é retirado para banho e limpeza da órtese, mas deve ser recolocado logo após, para manter a eficácia.
6 – Quem indica o uso? Profissionais como: Pediatra, Fisioterapeuta, Especialista em Ortopedia ou Neurocirurgia.
7 – A órtese substitui Fisioterapia ou Osteopatia? Não. Em alguns casos, especialmente com Torcicolo congênito, o tratamento conservador é essencial e andam juntos para uma melhora mais eficaz.
8 – Funciona mesmo? Sim. Quando indicada corretamente e usada pelo tempo recomendado, os resultados costumam ser bastante satisfatórios.
9 – O que acontece se não tratar? Alguns casos leves podem melhorar apenas com reposicionamentos adequados, mas casos moderados a graves podem resultar em assimetria persistente, assimetrias faciais, além de favorecer distúrbios de visão (astigmatismo e miopia). Também podem resultar em desvio de septo nasal (contribuindo para o surgimento de rinites e sinusites de repetição), má oclusão dental, desalinho das orelhas (favorecendo quadros de otites) e problemas posturais (escolioses).
10 – Qual a principal recomendação? Observar, buscar orientação e agir no momento certo pode transformar completamente o futuro do seu bebê. Condições como a Plagiocefalia e a Braquicefalia têm tratamento, e quanto mais cedo ele começa, maiores são as chances de resultados eficazes e rápidos. Não se trata apenas de corrigir a forma da cabeça, mas de promover saúde, bem-estar e confiança para o desenvolvimento da criança. Informar-se é o primeiro passo. Cuidar é a decisão que faz a diferença.
