Como funciona o diagnóstico de TDAH em adultos

Como funciona o diagnóstico de TDAH em adultos

Dra. Lana Maria Pereira
A médica psiquiatra Dra. Lana Maria Pereira

Já está mais do que evidente que o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é, também, um desafio a ser enfrentado na vida adulta. Mas é justamente nesse ponto que surgem dúvidas importantes: como obter um diagnóstico confiável? De que maneira identificar a necessidade de ajuda profissional? E, principalmente, quem pode diferenciar um traço de personalidade de um transtorno que exige acompanhamento?

Para responder a essas perguntas, ouvimos a médica psiquiatra Dra. Lana Maria Pereira, que tem se dedicado cada vez mais ao tratamento do TDAH em adultos. Ela ressalta, primeiramente, algo que as principais entidades de saúde já vêm recomendando em suas diretrizes: a importância do auxílio profissional. “O diagnóstico do TDAH exige uma avaliação clínica detalhada, que inclui anamnese cuidadosa do paciente. O próprio Ministério da Saúde estabelece que esse processo deve ser conduzido por profissionais qualificados, como psiquiatras, neurologistas, entre outros com expertise na área. Ou seja: aqueles vídeos do TikTok que buscam ‘identificar o TDAH’ podem até contribuir para popularizar o tema, mas eles jamais darão conta da individualidade do quadro. Muitas vezes, acabam gerando mais desinformação, dificultando a abordagem correta. Afinal, o transtorno, em si, possui diretrizes muito específicas na literatura médica, exigindo avaliação individualizada para fechar o quadro”, diz Dra. Lana.

Imagem ilustrativa - Como funciona o diagnóstico de TDAH em adultosIsso se torna ainda mais relevante, segundo ela, pelo fato de os sintomas de TDAH acompanharem muitos pacientes ao longo da vida sem que eles reconheçam o transtorno, sendo por vezes associados a outros diagnósticos ou não identificados corretamente, o que acaba repercutindo tanto na esfera pessoal quanto na profissional. “Outro desafio do TDAH na vida adulta é que, muitas vezes, os sintomas podem ser confundidos com transtornos de ansiedade, depressão e transtorno de humor bipolar. Com o aumento de casos ao longo das últimas décadas, junto ao crescente acesso à informação, é comum algumas pessoas creditarem à ansiedade uma série de traços que, no fundo, podem estar relacionados ao TDAH”, frisa Dra. Lana. “Também é comum as pessoas criarem mecanismos de compensação, o que acaba mascarando ainda mais o TDAH. Daí a importância do diagnóstico correto, que vai avaliar todo o contexto desse indivíduo”.

Além de distinguir como o TDAH se manifesta naquele paciente (com predomínio de desatenção, de hiperatividade/impulsividade ou de ambas as manifestações), o psiquiatra pode investigar possíveis comorbidades, bem como o impacto dos sintomas na rotina e a presença de outros transtornos associados. “Lembrando sempre que o TDAH vai muito além de um mero comportamento pontual. É necessário, antes de tudo, observar a gravidade e a persistência daqueles sintomas no dia a dia do paciente”, alerta Dra. Lana. “Enquanto um indivíduo às vezes pode se distrair por alguma questão passageira, ou se sentir impulsivo no momento, a pessoa com TDAH sofre um quadro bem mais frequente, com repercussão direta em suas atividades diárias. São pessoas que às vezes perdem uma promoção de emprego ou sofrem no trabalho por algo que, no fundo, pode ser melhorado por meio de acompanhamento profissional”.