Andréa Muniz

Publisher, empresária da comunicação, jornalista, engenheira de produção. Com experiência de 25 anos à frente do Mania de Saúde.
Andréa Muniz

Ser “leigo em internet” não livra nenhum pai da responsabilidade

leigo em internetDesconhecimento não protege e ainda pode colocar seu filho em risco diante dos seus olhos

Eu sei que a nossa rotina já é puxada. Trabalho, casa, os compromissos das crianças e os nossos, a correria de sempre e, no meio disso tudo, ainda tem um mundo inteiro acontecendo dentro de uma tela — um mundo que muitos pais simplesmente não dominam. E tudo bem admitir isso.

Tenho conversado com algumas mães das colegas da Sophya e vejo que “é normal” nem saber o que são alguns aplicativos que as crianças e adolescentes estão usando. Mas o grande problema é achar que não entender de internet diminui a responsabilidade. Não diminui!

Hoje, nossos filhos não brincam só na rua, não convivem apenas com colegas da escola, não estão expostos apenas ao que conseguimos ver. Eles vivem também no digital, um território sem muros, sem porteiro e, na maior parte do tempo, sem supervisão. E é justamente aí que mora o perigo silencioso. Disso a gente já sabia, convenhamos. Porém, uma má notícia para os pais de crianças e adolescentes: na atualidade, não saber como funciona uma rede social, um jogo online ou um aplicativo de mensagens não impede que seu filho esteja lá. Pelo contrário: muitas vezes ele está, sozinho, aprendendo, explorando… e também se expondo. E o mais duro de encarar é isso: enquanto você acha que “não é com você” porque não entende, alguém lá do outro lado entende muito bem como acessar, influenciar e até manipular uma criança ou adolescente.

A gente cresce ouvindo que deve proteger os filhos de estranhos na rua. Mas e os estranhos que entram em casa através do celular? E as conversas que acontecem no quarto, com a porta fechada, mas com acesso ao mundo inteiro? E os conteúdos que moldam comportamento, autoestima, sexualidade e até valores, tudo isso sem filtro?

Ser pai e mãe hoje exige um novo tipo de atenção. Não é sobre saber tudo de tecnologia. É sobre não se ausentar. É sobre não terceirizar completamente esse cuidado. É sobre entender que ignorar esse ambiente não faz com que ele deixe de existir, só faz com que ele se torne ainda mais perigoso.

Quantos de nós, digo nós pois me incluo nessa situação, achávamos que tínhamos a opção de não usar ou conhecer um aplicativo, não ter rede social, afinal, nossas rotinas corridas não nos permitiam, mas, agora, precisamos, somos obrigados a saber!

Não se trata de vigiar de forma obsessiva, trata-se de presença, de diálogo, de estabelecer limites, de saber, pelo menos, onde seu filho está navegando (filosofando na teoria dos pais pirados kkkkk), lembrando que alguns já apagam os históricos de navegação e a gente finge que vigia, enquanto eles fingem que não sabem que estão sendo monitorados… e como saberemos realmente com quem nossos filhos “estão andando”? Porque, no fim das contas, proteger continua sendo o papel dos pais. Só que agora o perigo não está apenas do lado de fora. Ele pode estar no bolso, na mão, na tela… e ao alcance de um clique.

E talvez a pergunta mais importante seja: você está acompanhando seu filho nesse mundo — ou ele está enfrentando isso sozinho?

Como está sendo para você acompanhar esse momento cibernético com seus filhos?