Especialista no assunto, Dra. Jane Carla ressalta o diagnóstico precoce e formas seguras
de cuidado
Existem notícias que podem abalar o emocional de muitas mulheres. Uma delas costuma ser o resultado alterado do preventivo, especialmente quando envolve o HPV. Nessas horas, é natural surgirem muitas dúvidas e temores, já que a saúde íntima é um tema delicado para boa parte da população. Ainda mais sabendo que o HPV pode ocasionar uma série de infecções genitais e está associado inclusive a condições mais graves, sendo hoje responsável por quase 100% dos casos de câncer de colo de útero em todo o mundo.
Para abordar o assunto, nossa reportagem ouviu a médica ginecologista e obstetra Dra. Jane Carla, especialista em radiofrequência, colposcopia e ginecologia regenerativa, com atuação voltada também para a saúde LGBTQIAPN+, além de ser professora da FMC. Com vasta experiência na área, ela comenta sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do HPV, tema hoje cada vez mais presente em seu consultório.
“Tenho atendido muitas pacientes angustiadas porque receberam o diagnóstico de HPV. Sabemos o quanto isso pode ser difícil, até mesmo para compreender totalmente essa condição e se sentir segura dentro de um relacionamento. Como imaginar, por exemplo, a vida sexual a partir de agora? Mas é importante dizer que, apesar de não existir uma cura específica para eliminar o vírus, o HPV tem tratamento, com abordagens individualizadas para cada paciente”, alerta Dra. Jane Carla.
Segundo ela, o HPV é um vírus bastante comum, transmitido principalmente pelo contato sexual e que, na maioria dos casos, não apresenta sintomas visíveis. “Muitas mulheres convivem com o vírus sem saber. Acham que está tudo bem, quando, na verdade, alterações silenciosas já podem estar ocorrendo no colo do útero. Sem acompanhamento, elas podem evoluir para lesões mais graves. Por isso o preventivo e atualmente os testes moleculares são tão importantes, pois ajudam a identificar alterações ainda no início, quando o tratamento é mais simples e eficaz. Realizar os exames no período correto e estar com a vacinação em dia são atitudes fundamentais para a prevenção”.
A vacina contra o HPV, como lembra a médica, é uma das principais formas de evitar infecções responsáveis por verrugas genitais e diversos tipos de câncer. Pelo SUS, a vacinação é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, com dose única. Jovens de 15 a 19 anos que não se vacinaram a tempo podem receber a vacina, ainda com o esquema de uma dose, conforme avaliação. “Inclusive, na rede pública, pacientes imunossuprimidos como os soropositivos, transplantados, doentes autoimunes e outros podem se vacinar até os 45 anos, sempre sob orientação médica. Mesmo quem já iniciou a vida sexual pode se beneficiar, pois a vacina protege contra diferentes tipos do vírus. É importante dizer, também, que a vacinação não substitui o preventivo e o teste molecular, mas é uma aliada essencial no cuidado com a saúde”.
Por fim, Dra. Jane Carla deixa uma orientação importante para garantir mais tranquilidade ao longo desse processo. “O HPV é um tema hoje bastante presente na sociedade e gera enorme apreensão quando é identificado em um diagnóstico. Mas existem formas seguras de se prevenir e se cuidar. O que mais recomendo às minhas pacientes é o uso de preservativo, tomar a vacina contra o HPV, fortalecer a imunidade, realizar atividade física e tudo o que contribua para o bem-estar e para um organismo mais fortalecido, capaz de lidar melhor com infecções virais ou bacterianas. O importante é: se tiver um preventivo anormal, com presença ou não de HPV, não entre em desespero. Mantenha a calma e procure seu ginecologista. Estamos aqui para orientar e acolher”.
