Câmbio automático? Evite estes erros antes que seja tarde

Desde os primórdios do automóvel, dirigir era uma tarefa complexa, que exigia o uso constante da embreagem e trocas manuais de marcha. O câmbio automático começou a ganhar forma na década de 1930, com contribuições dos brasileiros José Braz Araripe e Fernando Lemos. Aprimorado à época pela General Motors, o sistema evoluiu ao longo das décadas e hoje é uma tecnologia cada vez mais presente nos automóveis, mas sua durabilidade depende de manutenção adequada.

“Um câmbio automático costuma durar entre 150.000 km e 200.000 km. Com manutenções preventivas rigorosas, como a troca do fluido e do filtro, essa vida útil pode passar facilmente dos 350.000 km. A falta de cuidados ou o uso severo podem reduzir a durabilidade para algo em torno de 60.000 km a 80.000 km”, informa o empresário Wanderson Peixoto, da 900 HP, representante Michelin na região.

Segundo ele, alguns cuidados ajudam a preservar o bom funcionamento do sistema. “O primeiro ponto é a troca de fluido e filtro. A maioria dos fabricantes exige a troca de óleo e filtro do câmbio entre 40 mil e 80 mil km. Use sempre o fluido homologado no manual do seu carro e prefira a troca por diálise em oficinas especializadas para remover 100% do óleo usado. A falta da troca no período certo pode acarretar: trocas de marchas irregulares, perda de desempenho e desgaste prematuro do câmbio, o que gera um custo bem salgado de reparação”, disse. “Depois é o sistema de arrefecimento. O câmbio automático trabalha com base na temperatura da água do radiador. Mantenha o sistema de refrigeração do motor sempre em dia, e com aditivo correto, pois o superaquecimento danifica o câmbio gravemente”.

10 erros mais comuns ao dirigir um carro automático
Confira!

O empresário Wanderson Peixoto, da 900 HP

1. Mudar de “D” ou “R” com o carro em movimento: engatar a marcha à ré enquanto o carro ainda anda para frente (ou vice-versa) exige que componentes internos freiem e girem em sentido oposto instantaneamente. Isso causa um tranco forte e danos irreversíveis aos discos de embreagem;

2. Usar o “ponto morto” (banguela) em descidas: colocar a alavanca em “N” (Neutro) não economiza combustível e prejudica a lubrificação do câmbio. Em descidas, mantenha em “D” e use o freio motor;

3. Colocar no “Neutro” (N) em semáforos ou trânsito: ao contrário da lenda popular, isso não economiza combustível e gera um esforço extra desnecessário nas cintas e embreagens do sistema a cada vez que a marcha é engatada novamente. Apenas pise no freio enquanto estiver em “D”;

4. Dirigir usando os dois pés: usar o pé esquerdo para o freio e o direito para o acelerador aumenta o risco de acionamento acidental simultâneo. Isso confunde a central do carro e causa superaquecimento nos freios e na transmissão;

5. Acionar a trava “P” (Park) antes da parada total: engatar o “P” enquanto o veículo ainda está em movimento faz o pino de estacionamento travar as engrenagens bruscamente, forçando todo o peso do carro contra uma trava metálica muito sensível;

6. Segurar o carro em ladeiras com o acelerador: em vez de usar o freio para segurar o veículo em aclives, muitos motoristas mantêm o carro parado acelerando levemente. Isso superaquece o conversor de torque e degrada o fluido precocemente;

7. Acelerar forte com o câmbio frio: pisar fundo logo após ligar o carro gera um atrito excessivo no sistema hidráulico. É recomendado dirigir de maneira progressiva nos primeiros quilômetros para que o fluido circule corretamente;

8. Não utilizar o freio de estacionamento (freio de mão): confiar apenas na posição “P” em ladeiras tensiona o pino de estacionamento dentro da transmissão. Acionar o freio de mão antes de colocar no “P” distribui o peso;

9. Descansar a mão na alavanca de câmbio: apoiar ou puxar a alavanca de marchas enquanto dirige transmite uma pressão mecânica contínua aos garfos e trancos internos do sistema;

10. Atrasar a troca do óleo (fluido) do câmbio: muitos acham que o óleo do câmbio é vitalício. Ele perde suas propriedades com o tempo (viscosidade e poder de limpeza), levando à queima das peças internas.

“Como todo equipamento, o câmbio do seu carro merece cuidado preventivo. Reparos corretivos complexos exigem desmontagem e podem custar de R$ 5.000 a R$ 25.000, dependendo do problema e do modelo do seu veículo. Essas e outras dicas você pode ter na 900HP, seu espaço Michelin e BF Goodrich em Campos”, finalizou.