Você conhece a intolerância silenciosa?

Nutricionista Dra. Daiane Duarte explica o fator oculto que pode estar sabotando a fertilidade

Sempre que ouvimos falar de casais com dificuldade para aumentar a família de modo natural, associamos a solução à Fertilização In Vitro (FIV). Soa mais fácil, ou mesmo como única alternativa, mas não é tão simples assim. Sem uma investigação mais profunda, nem mesmo a realização de várias tentativas dessa técnica surtirá o resultado tão desejado.
Além da capacidade reprodutiva, a fertilidade é um importante marcador de saúde tanto para o homem quanto para a mulher em termos gerais de funcionamento do organismo. Segundo a nutricionista Dra. Daiane Duarte, especialista em infertilidade, “se o seu corpo está inflamado, sua reprodução sofre”.

Dra. Daiane Duarte
A nutricionista Dra. Daiane Duarte, especialista em infertilidade

“Você pode estar comendo os alimentos indevidos todos os dias, sem perceber absolutamente nada, enquanto uma inflamação crônica invisível destrói de modo sistemático sua capacidade de engravidar”

“Ao longo dos meus anos trabalhando com infertilidade, atendi dezenas de casais sem esperanças. Muitos deles já tendo investido em Fertilização In Vitro, sem qualquer sucesso. O que descobri é profundamente perturbador: a maioria absoluta desses casais nunca foi investigada para intolerâncias alimentares silenciosas”, relatou a nutricionista.

Intolerância silenciosaIntolerâncias alimentares silenciosas recebem esse nome porque manifestam respostas inflamatórias crônicas de baixo grau, ao contrário das alergias alimentares e de outras intolerâncias, em que ocorrem sintomas visíveis e imediatos, como vômito, diarreia e inchaço. Todavia são tão prejudiciais como as demais, pois afetam múltiplos órgãos simultaneamente, entre eles cérebro, gônadas e útero.

“Você pode estar comendo os alimentos indevidos todos os dias, sem perceber absolutamente nada, enquanto uma inflamação crônica invisível destrói de modo sistemático sua capacidade de engravidar. E os tratamentos reprodutivos convencionais ignoram isso”, afirma Dra. Daiane. Segundo ela, isso implica grande desgaste emocional e financeiro em tentativas de fertilização in vitro com baixíssima chance de sucesso, devido ao fato de o corpo continuar sendo nutrido de forma incorreta.

No contexto masculino, a intolerância alimentar pode comprometer a qualidade do esperma e desproteger os testículos contra radicais livres. Embora o espermograma apresente contagem dentro do normal (50 milhões de espermatozoides), grande parte desse quantitativo pode ter DNA danificado e não conseguir fertilizar um óvulo.

Em contrapartida, no que se refere à parte feminina, as consequências são ainda mais críticas. Segundo informa Dra. Daiane, a intolerância danifica os óvulos de diversas formas, desde envelhecimento precoce, a ciclos menstruais irregulares, e desequilíbrio do sistema imunológico, o que amplia a rejeição ao embrião.

Entretanto, há boa notícia: qualquer pessoa pode identificar suas intolerâncias sem testes caros, por meio de método confiável. “A observação clínica é soberana, mas existem exames que também auxiliam no diagnóstico. Você pode investigar intolerâncias alimentares em poucas semanas e a baixo custo, otimizar a nutrição reprodutiva e aumentar as chances de concepção natural”, conta a nutricionista.

Portanto, considerar a infertilidade apenas como um fator genético ou estrutural imutável, sem avaliar a saúde nutricional, pode ser uma autocondenação cruel. Os pacientes que desejam ter filhos merecem respostas completas e esperanças alicerçadas em evidências. E, assim, a chance de multiplicar o seu amor.