Eu gosto muito de ouvir as histórias de vida de pessoas que vou conhecendo pela vida, nem todos se abrem de primeira, mas aos poucos, quando sentem confiança, a maioria delas vai narrando, como passam pelas pedras (stones), ou como colhem as flores (flowers), elementos importantes de sua caminhada e é sobre esse caminho que eu quero trazer com certa perspectiva para os leitores dessa coluna.
Já me perguntei por que gosto de histórias, afinal tenho as minhas próprias stones and flowers, por que me interessar por aquelas que nem sei se são verdadeiras, a resposta que encontrei para minha pergunta foi: o caminho. De alguma forma nosso cérebro ao ouvir uma narrativa, se predispõe a nos colocar nela. Já nos armamos por uma expectativa natural, sabemos que ao final da história sentiremos algo: espanto, surpresa, compaixão, curiosidade, alegria, entre outras coisas, mas o que fazemos é tentar entrar na história: “isso aconteceu comigo também”; “posso fazer algo por você?”; “conheço uma pessoa que passou por isso”; “ah, se fosse comigo!”; “nossa nem imagino o que faria se estivesse em seu lugar”, ou seja, sempre nos posicionaremos na narrativa e tentar fazer parte desse caminho que o outro já trilhou ou está trilhando
E o nosso caminho? Em algum momento contamos nossa história, e na maioria das vezes, nos orgulhamos de ter plantado as flores e descrevemos as pedras como se tivessem sido postas, por outros, para dificultar a caminhada, nunca admitimos que nós mesmos somos responsáveis por elas, stones and flowers. Lembre-se daquela vez que decidiu não comprar a capa de chuva porque achava feia, e um dia precisou dela. E aquele peso que levantou e te deu dor nas costas, ou ainda o Inglês que decidiu deixar para depois e hoje te faz tanta falta. Ou ainda, o esforço que fez para passar em uma prova e que te trouxe ao cargo que ocupa, stones and flowers, todas colocadas lá por você
Enfim, a lista de coisas em comum que pessoas como eu e você passamos é infinita, mas já deu para ilustrar a mensagem principal deste texto singelo. São nossas escolhas que constroem nossa história, portanto, que sejamos capazes de usar as STONES como catapulta e as FLOWERS como um agradável alívio no caminho, que só nós podemos trilhar.
