Muitas condições de saúde exigem tratamentos complexos, mas poucas são tão cercadas de desinformação quanto o lipedema. Um dos principais equívocos, por exemplo, é confundi-lo com obesidade ou gordura localizada, tratando-o como estética. Na realidade, o lipedema exige acompanhamento multidisciplinar, bem como uma combinação de diferentes estratégias terapêuticas para aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida do paciente e até prepará-lo para a cirurgia.
Afinal, a falta de um tratamento adequado pode não só agravar o lipedema, como também ampliar seus impactos para além dos sintomas físicos. “Uma das principais características que percebo no lipedema é o lado emocional do paciente”, afirma a fisioterapeuta Dra. Flávia Miranda, que é especialista em pré, intra e pós-operatório de cirurgias e também em reabilitação vascular, tendo vasta experiência no tratamento do lipedema. “A paciente chega muito fragilizada, pois ficou anos fazendo dieta, indo à academia, seguindo orientações que não eram, de fato, voltadas para o lipedema. Ela se sente muito frustrada, perguntando se está fazendo tudo errado, se o problema está com ela, já que nada do que faz funciona. Daí a importância de entender o lipedema para buscar o método mais adequado”, diz Dra. Flávia.
O lipedema, segundo ela, é uma condição que envolve processos inflamatórios no tecido adiposo e provoca alterações nessa gordura, além de outras manifestações características da doença. Isso ajuda a entender por que o tratamento exige uma abordagem mais cuidadosa. “O tratamento inadequado pode agravar o lipedema, aumentar a dor, piorar a parte fibrótica desse tecido, gerar mais aspecto de celulite e acelerar a evolução da doença. Dependendo da conduta, pode acabar favorecendo o desenvolvimento do lipolinfedema, por exemplo”, conta Dra. Flávia. “Afinal, quando se atua de forma errada, pode haver lesão no sistema linfático. É o que pode acontecer, por exemplo, com massagens muito vigorosas, que provocam dor ou deixam equimoses, assim como terapias de compressão (enfaixamento, compressão pneumática) com pressões inadequadas. Essas abordagens exigem cuidado para não agredir um tecido já sensível e suscetível a hematomas”.
Tecnologias para tratar o lipedema
Segundo Dra. Flávia, não é um aparelho caro, voltado à estética corporal, que vai conseguir dar conta de todas as demandas inerentes ao lipedema. Para obter os resultados adequados, o ideal é buscar profissionais especializados na área, que tenham experiência nesse tipo de abordagem, capazes de indicar os recursos mais apropriados para o controle dos sintomas e o manejo da doença. Entre as opções que podem compor essa abordagem, destacam-se:
Fotobiomodulação: atua nas mitocôndrias reduzindo inflamação, aliviando dor, melhorando a microcirculação e auxiliando inclusive no tecido fibrótico (que dá o aspecto de celulite), com uso de LED, laser ou terapia ILIB.
Terapia por ondas de choque: por meio da mecanotransdução, converte a energia mecânica das ondas acústicas em estímulos que podem ajudar a reduzir a fibrose, melhorar a microcirculação e atuar sobre o sistema linfático, além de aliviar a dor.
Compressão Pneumática/Bota Pneumática: utiliza câmaras de ar que se enchem e esvaziam em sequência, com pressão correta, para estimular o sistema circulatório. O fisioterapeuta, porém, deve entender a fisiopatologia do lipedema para aplicar corretamente e não causar efeitos indesejados. Atualmente, estudos apontam que essa tecnologia pode ser superior à drenagem linfática manual em pacientes com lipedema.
Plataforma vibratória: estimula a circulação e a densidade óssea. O recurso, porém, deve ser utilizado com orientação profissional, já que é contraindicado para pacientes com alterações labirínticas, trombose ativa e outras condições específicas. Também é preciso atenção ao ângulo de uso, para reduzir o estímulo na região cervical alta.
Terapia descongestiva complexa, terapia de compressão (meias, calças para lipedema, enfaixamento): auxiliam controle do edema e ajudam a dar suporte para os vasos durante o momento.
Cinesioterapia e exercícios miolinfáticos: ativam a bomba da panturrilha e podem ser associados a outras terapias citadas.
