Todo mundo já passou por isso, mas deveria se preocupar

Sintomas intestinais recorrentes nem sempre são simples desconfortos e podem indicar a necessidade de colonoscopia

Diga a verdade: quantas vezes, no seu dia a dia, você sofreu alterações no trânsito intestinal e simplesmente deixou o organismo agir por conta própria? Pois é. Casos de diarreia ou prisão de ventre são muito comuns na rotina das pessoas, mas nem sempre há a devida atenção para esses sintomas. O que talvez muitos não saibam é o quanto essas alterações, quando recorrentes, podem ser um alerta precoce para problemas mais sérios, a começar pelo câncer colorretal.

Todo mundo já passou por isso, mas deveria se preocuparDiante desse cenário, é importante reforçar a conscientização em torno da colonoscopia, exame capaz de diagnosticar doenças como câncer, retocolite ulcerativa, entre outras, que deve ser incluído entre os exames de rastreamento e rotina, especialmente conforme a idade e o histórico de saúde de cada paciente. Quem nos fala sobre o assunto é o médico coloproctologista Dr. Matheus Rangel, que é especialista no tratamento de pólipos colorretais e câncer colorretal.

“A colonoscopia é um exame endoscópico do intestino grosso e do reto, voltado tanto para prevenção quanto para investigação de sintomas e acompanhamento de doenças. Isso significa que, além de avaliar pacientes com alguma comorbidade, ele também é uma peça-chave na parte preventiva, ajudando a investigar quadros de diarreia persistente, sangramento nas fezes, anemia sem causa definida, dor abdominal, entre outras alterações do intestino. Todos os pacientes a partir dos 45 anos de idade devem ser avaliados para realização de colonoscopia de rastreamento, que é fundamental na prevenção de doenças, especialmente o câncer”, disse.

Em grande parte dos casos, segundo Dr. Matheus Rangel, o câncer colorretal se inicia a partir da formação de pólipos intestinais, que são pequenas formações de tecido na parede interna do intestino grosso, como se fossem “crescimentos” anormais da mucosa. Em geral, eles costumam ter caráter benigno. Mas, ainda assim, outros tipos de pólipos acabam evoluindo e se transformando em câncer colorretal, o que explica a indicação do exame a partir de uma certa idade.

“O importante da colonoscopia é que não é um exame apenas avaliativo. Ele também é terapêutico. Isso porque, ao identificarmos a presença de um pólipo, fazemos sua retirada, evitando assim que ele se desenvolva e, consequentemente, se transforme em um câncer”, explica o médico. “De acordo com o tipo, o tamanho e a quantidade de pólipos encontrados, definimos o intervalo para o próximo exame. Quando a colonoscopia é normal, sem alterações, não há necessidade de repeti-la todo ano, podendo ser realizada em intervalos de cinco anos, ou até mais, conforme orientação médica individualizada”, complementou.

O alerta fica ainda maior pela alta incidência de câncer colorretal na atualidade, já que ele figura entre os mais prevalentes, ficando atrás apenas do câncer de próstata nos homens e do câncer de mama nas mulheres. “70% dos pacientes são diagnosticados em fases avançadas da doença, o que diminui as chances de cura. Mas, quando diagnosticados na fase inicial, mais de 90% desses pacientes conseguem ser curados. Isso demonstra como é essencial incluir a colonoscopia em nossa rotina de saúde, especialmente em um mundo que favorece um estilo de vida mais sedentário, com alimentação rica em ultraprocessados, que influenciam nesse processo”, frisa Dr. Matheus Rangel. “Mantendo bons hábitos de vida e fazendo a prevenção regular, é possível diminuir o risco de lesões intestinais, contribuindo assim para uma vida mais leve e equilibrada”.