O papel da ortopedia infantil no TEA

TEAO autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (tea), é uma condição neurológica que afeta a maneira como uma criança percebe e interage com o mundo ao seu redor. Cada criança com autismo é única, apresentando necessidades e desafios distintos. Este transtorno pode trazer à tona uma série de dificuldades, que vão desde problemas de comunicação e interação social até desafios relacionados à coordenação motora.

Lidar com os altos e baixos do desenvolvimento de uma criança com autismo, nesse contexto, pode ser uma jornada complexa e emocionalmente intensa. Afinal, as preocupações com o progresso da criança, a busca por terapias eficazes e a adaptação da rotina familiar são apenas alguns dos desafios que podem surgir. Mas é preciso lembrar que, por trás dessas dificuldades, há uma jornada repleta de amor, dedicação e pequenas vitórias que fazem cada esforço valer a pena.

Sendo os pais os primeiros observadores e apoiadores de seus filhos, é importante estar atento às necessidades e comportamentos da criança, a fim de facilitar a adaptação e a escolha das abordagens terapêuticas mais eficazes. As opções de terapias motoras para crianças com autismo, por exemplo, são diversas, atuando diretamente na coordenação e equilíbrio.

TEA
O médico ortopedista infantil Dr. Marwan Ferzeli

Uma das abordagens que se destacam nesse cenário é a terapia ocupacional, projetada para promover a participação ativa na vida cotidiana. A fisioterapia também desempenha um importante papel, oferecendo exercícios para fortalecer os músculos, melhorar o equilíbrio e promover a mobilidade. Outras terapias, como a terapia de integração sensorial, ajudam a criança a processar e reagir melhor a estímulos sensoriais, enquanto a equoterapia utiliza a interação com cavalos para melhorar a coordenação e promover equilíbrio, confiança e consequentemente o bem-estar emocional. Cada abordagem é adaptada às necessidades individuais da criança.
Nesse cenário, a ortopedia infantil desempenha um papel fundamental no tratamento de problemas específicos, como a deformidade em equino do pé, comumente conhecida como andar na ponta dos pés. Trata-se de uma condição frequentemente observada no público infantil, incluindo crianças com diagnóstico de tea, gerando muitas dúvidas para as famílias em geral.

“Os ortopedistas infantis trabalham para corrigir essas deformidades através de diversos métodos, incluindo o uso de órteses, exercícios específicos e, em alguns casos, intervenções cirúrgicas”, afirma ao Mania de Saúde o médico ortopedista infantil Dr. Marwan Ferzeli. “A abordagem ortopédica é adaptada às necessidades individuais da criança, visando não apenas aliviar os sintomas, mas também melhorar a qualidade de vida e a funcionalidade”, acrescentou.

Como lembra Dr. Marwan, crianças com tea frequentemente apresentam dificuldades com coordenação motora e controle de movimentos, o que pode influenciar seu desenvolvimento físico. A queixa ortopédica mais frequente neste grupo de pacientes é o equinismo, popularmente conhecido como andar na ponta dos pés.

“Essa deformidade pode ser apenas postural, algum vício que a criança adota na marcha, mas, a longo prazo, essa mesma criança pode apresentar um encurtamento real do tendão de Aquiles, em alguns casos com indicação cirúrgica. Este problema pode ser particularmente desafiador em crianças com diagnóstico de autismo devido à sua hipersensibilidade sensorial e resistência a mudanças na rotina de cuidados”, destaca o especialista.

Segundo ele, o acompanhamento abrange uma série de fatores, mas a atenção cuidadosa, o suporte contínuo das terapias e o trabalho dos especialistas, como ortopedistas e terapeutas, são essenciais para o progresso da criança. “Tão importante quanto a assistência profissional é o cuidado e a atenção dos pais, afinal, cada dia traz uma nova oportunidade de apoiar e celebrar o desenvolvimento do seu filho. Que cada pequeno passo e cada conquista sejam um lembrete do impacto profundo do seu amor e dedicação. Juntos, com paciência e carinho, vocês podem transformar desafios em oportunidades e fazer dessa jornada uma história de esperança e sucesso”.