TDAH em adultos: como tratar?

TDAH em adultos: como tratar?Você por acaso se lembra de como eram seus amigos nos tempos de escola? Quem puxar o fio da memória provavelmente recordará de colegas que sofriam para acompanhar o conteúdo em sala de aula, quase sempre distraídos ou com comportamento agitado, o que resultava em broncas dos professores, além do temor de repetir o ano. Em grande parte dos casos, esses sinais desapareceram com o tempo, mas, em outros, eles continuam impactando a vida adulta, podendo estar associados ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

Esse quadro, inclusive, levanta um grande questionamento: quantas pessoas hoje podem estar enfrentando dificuldades no trabalho, na rotina de estudos, na condução dos negócios e até mesmo na vida pessoal, sem nunca terem sido diagnosticadas ou sequer buscado acompanhamento profissional? Pois é. Isso mostra como o TDAH em adultos é um tema cada vez mais importante de ser debatido, especialmente pelo nível de desinformação presente na atualidade, como afirma a médica psiquiatra Dra. Lana Maria Pereira.

A médica psiquiatra Dra. Lana Maria Pereira

“Hoje em dia, vemos um fenômeno muito simbólico do tempo em que vivemos: a circulação massiva de conteúdos superficiais sobre TDAH na internet, muitas vezes simplificando um transtorno complexo ou até mesmo repassando informações equivocadas. Ao mesmo tempo, há um grande número de pessoas que realmente convive há anos com o transtorno, sofrendo em silêncio com os muitos desafios do dia a dia, sem compreender muito bem a origem desses sintomas e sem conhecer as possibilidades de tratamento”, explica a médica.

Segundo Dra. Lana, após uma avaliação clínica detalhada, que inclui anamnese cuidadosa para distinguir como o TDAH se manifesta no paciente (com predomínio de desatenção, de hiperatividade/impulsividade ou de ambas as manifestações), a psiquiatria pode lançar mão de diversos recursos para definir a melhor abordagem terapêutica desse paciente. “Como o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, não se pode falar em termos de cura, mas sim em intervenções eficazes para trazer qualidade de vida e bem-estar ao paciente. Isso envolve medicamentos que melhoram foco, atenção e autorregulação, sempre de forma individualizada. A psicoterapia também exerce um papel importante, com intervenções focadas nas funções executivas. Outros pilares são atividade física, regulação do sono e alimentação adequada, que pode incluir suplementação em alguns casos”, disse.

O uso de medicações, como lembra Dra. Lana, também precisa ser ressaltado, já que hoje existem fármacos mais seguros e eficazes no manejo do TDAH em adultos. “O tratamento precisa considerar vários fatores, especialmente as opções medicamentosas disponíveis. Nesse contexto, podemos citar a lisdexanfetamina, o metilfenidato e a atomoxetina, que possuem diferentes mecanismos de ação, com respostas clínicas individuais. Mas também existem fármacos de segunda linha que podem contribuir em alguns casos. O importante é ter o auxílio do médico especialista para garantir a melhor abordagem”, diz Dra. Lana. “Até porque é comum a presença de outras comorbidades ao longo desse processo, o que exige uma avaliação ainda mais criteriosa do paciente”.

De acordo com a especialista, os medicamentos atuam em sistemas ligados à dopamina e à noradrenalina, contribuindo para a melhora da atenção, da capacidade de iniciar tarefas, do controle inibitório, da organização mental e da tolerância ao tédio, entre outros aspectos. “O tratamento é ajustado conforme o perfil do paciente e seu histórico de saúde. Quando utilizados de forma correta, eles têm efeito real no dia a dia do indivíduo, com repercussões positivas em diversos campos da vida”, finalizou.