Dra. Rachel Tavares conta tudo o que você precisa saber sobre o método
Se a pílula anticoncepcional já te trouxe dúvidas e te fez repensar a própria contracepção, acredite: você não está sozinha. Atualmente, boa parte do público feminino procura evitar esse tipo de medicamento, que além de causar possíveis alterações em determinadas mulheres, exige uma regularidade nem sempre fácil de ser alcançada no dia a dia. É nesse contexto que os dispositivos intrauterinos (DIUs) passaram a ser um dos métodos mais requisitados pelas pacientes, registrando uma alta demanda nos consultórios ginecológicos na atualidade.
Quem esclarece as principais dúvidas sobre o assunto é a médica ginecologista e obstetra Dra. Rachel Tavares. “O DIU é um método contraceptivo reversível e de longa duração, indicado para mulheres sexualmente ativas, que buscam proteção prolongada e não desejam engravidar no momento. Um dos diferenciais é justamente essa praticidade, já que o DIU pode durar três, cinco, oito ou até dez anos, dependendo do modelo, além de não exigir a mesma atenção diária da pílula tradicional, sendo uma ótima opção para quem não pode ou não deseja usar métodos hormonais”, conta Dra. Rachel. “Outro diferencial do DIU é auxiliar no tratamento de doenças como a endometriose, ajudar na proteção endometrial em pacientes que estão fazendo reposição hormonal e reduzir cólicas e sangramentos intensos. Ele pode ser utilizado por mulheres de diferentes faixas etárias, inclusive aquelas que nunca tiveram filhos, o que amplia as possibilidades de escolha”, disse.
Como existem diferentes tipos de DIU, com composições e tempos de duração variados, a indicação deve ser individualizada e ajustada ao perfil de cada paciente. Isso envolve fatores como idade, fluxo menstrual, cólicas, tamanho do útero, histórico de gestações, uso de hormônio, entre outros. “A inserção do DIU é muito tranquila e pode ser feita em consultório, sem necessidade de centro cirúrgico ou anestesia. Trata-se de um procedimento seguro, com pouco risco de complicações. Mas, ainda assim, elas existem. Por isso, quando surge alguma intercorrência, é fundamental contactar o médico para avaliar se era algo já esperado do procedimento ou se aponta para um quadro que exige maior investigação”, afirma a médica.
Os efeitos esperados do DIU, segundo ela, também dependem do modelo. “Nos primeiros meses, o DIU com hormônio pode causar sangramento transvaginal um pouco irregular, mas que geralmente melhora com o passar dos meses. Já o DIU sem hormônio pode aumentar o fluxo e a cólica menstrual. Daí a importância de avaliar cada paciente para ver qual tipo de DIU melhor se adapta à pessoa e garantir assim uma abordagem apropriada”, alerta Dra. Rachel. “Também pode acontecer de a paciente expulsar o DIU ou, em casos mais raros, o dispositivo migrar para a cavidade pélvica, exigindo remoção cirúrgica. Por isso o acompanhamento após a inserção do DIU é tão importante. A orientação especializada é fundamental nesse processo”, ressalta.
Diante de sintomas intermitentes ou suspeita de má posição do DIU, o médico pode lançar mão de exames complementares, incluindo ultrassom transvaginal, raio X de abdômen, histeroscopia e o próprio exame físico, que geralmente já esclarecem o quadro. “Embora seja um método seguro, a inserção do DIU exige todo um contexto de avaliação individual da paciente, que considera até mesmo suas expectativas, a fim de garantir um resultado adequado às suas necessidades. É fundamental, portanto, realizar a colocação do DIU com um médico experiente, que vai fazer todo o acompanhamento dessa mulher, oferecendo o suporte necessário para um uso seguro e eficaz”.
