
Saiba por que a ptose não é apenas estética e como agir no tempo certo faz toda a diferença para o futuro da criança
A ptose é uma condição cercada de mitos e informações equivocadas. Para ajudar os pais a entenderem melhor o problema, o Mania de Saúde entrevistou a Médica Oftalmologista Dra. Tatiana Costa. Com especialização em Plástica Ocular pela USP e vasta experiência na área, ela explica como tratar corretamente a ptose, além de deixar importantes alertas para os pais.
Mania de Saúde – O que é ptose? Quais os mitos mais comuns em torno do problema?
Dra. Tatiana Costa – A ptose congênita é a queda da pálpebra superior desde o nascimento, causada por uma má-formação ou fraqueza do músculo responsável por levantar a pálpebra. Ela não é apenas estética: pode comprometer o desenvolvimento visual e até levar à ambliopia (olho preguiçoso) em até 20% das crianças. Muitas vezes, a criança passa a adotar posturas compensatórias, como inclinar a cabeça, o que pode gerar outros problemas. Entre os mitos recorrentes, podemos citar a ideia bastante difundida de que se trata apenas de um “problema estético”, quando, na verdade, pode afetar gravemente a visão. Outra percepção equivocada é achar que “vai melhorar com o tempo”, pois a ptose não se corrige espontaneamente. Há também quem acredite que se trata sempre de algo hereditário. A maioria dos casos, porém, surge de forma isolada, sem histórico familiar.
Mania de Saúde – Como funciona a cirurgia? A partir de que idade ela pode ser feita, quais as contraindicações e os cuidados antes do procedimento?
Dra. Tatiana Costa – A avaliação costuma ser feita a partir dos 6 meses de idade, quando o bebê já consegue fixar o olhar. Em casos graves ou bilaterais, a cirurgia pode ser feita ainda no primeiro ano para evitar prejuízo visual. Nos casos moderados, pode-se aguardar até 1–2 anos, mas sempre antes dos 7 anos, quando a visão já está em fase final de desenvolvimento. Não há limite máximo de idade para operar. Indicações principais: quando a pálpebra obstrui parcial ou totalmente a pupila, há risco de ambliopia, função muscular muito fraca ou impacto funcional/estético relevante. As técnicas principais são: ressecção/encurtamento do músculo levantador (quando há função moderada/boa) ou suspensão frontal (quando o músculo é muito fraco), em que a pálpebra é conectada ao músculo da testa. Os cuidados pré-operatórios envolvem avaliação oftalmológica detalhada, exames laboratoriais conforme protocolo anestésico e tratamento prévio de qualquer inflamação ocular.
Mania de Saúde – O pós-operatório exige que tipo de cuidados?
Dra. Tatiana Costa – Nos primeiros dias (1–15), deve-se fazer repouso relativo, compressas frias nas primeiras 48–72h, uso de colírios/pomadas lubrificantes, e oclusão noturna da pálpebra com gaze por 30–45 dias. Também lembrando da proteção: evitar sol direto por 1 mês, depois sempre usar protetor solar, boné e óculos. Quanto ao retorno às atividades: esforço leve liberado após 15 dias, esportes e esforço intenso após 30 dias. Piscina só depois de 1 mês. No que diz respeito à higiene, deve-se lavar cabelo/rosto com cuidado, sem atrito na cicatriz. Os efeitos esperados são inchaço nos 3 primeiros dias, hematomas por até 2 semanas, visão borrada por uso de pomadas e piscar mais lento (pode durar alguns meses).
Mania de Saúde – Que orientações você daria aos pais que desconhecem o problema?
Dra. Tatiana Costa – A primeira recomendação é: não se assustem. A ptose, embora traga riscos à visão e possa impactar a autoestima da criança, tem tratamento cirúrgico eficaz tanto para preservar o desenvolvimento visual quanto para oferecer um bom resultado estético. O mais importante é que os pais estejam atentos desde cedo a sinais como queda da pálpebra, inclinação da cabeça para enxergar melhor ou atraso visual. Observar esses detalhes ajuda o médico a definir o momento ideal da cirurgia, equilibrando segurança, desenvolvimento visual e estética. Agendar a primeira avaliação oftalmológica até os 6 meses é fundamental, e a partir daí o especialista orientará se a cirurgia deve ser feita precocemente ou pode aguardar alguns anos. Depois da cirurgia, seguir todas as orientações do pós-operatório e comparecer aos retornos garantem a boa recuperação.
