
No mês do Setembro Amarelo, Espaço Clarisse Mota ressalta a importância do tema
Setembro chega colorido de amarelo e traz junto uma importante reflexão: falar sobre saúde mental. No contexto das crianças e das pessoas neuroatípicas, essa conversa se torna ainda mais essencial, já que muitas vezes os sinais de sofrimento podem passar despercebidos ou serem confundidos com comportamentos comuns ao desenvolvimento. A campanha do Setembro Amarelo nos lembra que cuidar das emoções desde cedo, com escuta atenta, empatia e acolhimento, é um passo fundamental para promover bem-estar e construir uma rede de apoio que faz toda a diferença.
Nossa reportagem foi ao Espaço Clarisse Mota e conversou com a equipe de psicologia da Clínica. A psicóloga Rosana Soares explica por que o tema merece tanta atenção. “Cuidar da saúde mental de pessoas neuroatípicas desde a infância é fundamental porque o desenvolvimento emocional, cognitivo e social delas pode ser diferente do de pessoas neuroatípicas, exigindo atenção específica para garantir qualidade de vida e autonomia no futuro. Assim, podemos ter ganhos positivos, como um desenvolvimento mais equilibrado, a redução do sofrimento psíquico, a prevenção das comorbidades e o fortalecimento das relações familiares e sociais. Sem esses cuidados, alguns impactos podem acontecer no desenvolvimento, como dificuldades na socialização, problemas de aprendizagem, desenvolvimento de comportamentos agressivos, baixa autoestima e insegurança, além de dificuldades na vida adulta”, disse.
A psicóloga Laura Machado destaca o papel da família e da escola. “O olhar atento e a escuta ativa dos responsáveis e educadores são essenciais para que as crianças e adolescentes se sintam validados e tenham seus sentimentos reconhecidos. Quando o ambiente é acolhedor e transmite segurança, eles desenvolvem mais confiança para se expressar, experimentar novas situações e enfrentar desafios. Isso fortalece as habilidades socioemocionais e a autoestima. Ao atuarem juntas, família e escola tornam-se uma base sólida, que impulsiona o desenvolvimento psicossocial”.
Já para Maria Thereza de Oliveira, também psicóloga do Espaço, assim como os adultos, as crianças também possuem emoções e são afetadas por questões externas e por ambientes que as cercam. Em alguns casos, a criança pode apresentar dificuldade em lidar com suas emoções e sentimentos, ocasionando a presença de comportamentos disfuncionais, ansiedade, entre outros tipos de dificuldades. “Quando nos referimos a crianças e adolescentes neuroatípicos, não é diferente. Porém, por apresentarem alterações nas funções do neurodesenvolvimento, podem mostrar um pouco mais de dificuldade em organizar e lidar com fatores externos e internos. Com isso, a Psicologia se mostra de grande importância para ajudar no desenvolvimento de habilidades sociais, para trabalhar a regulação emocional, compreender os ambientes em que se vive para gerar adaptações de acordo com as necessidades da criança e do adolescente, desenvolvendo assim autonomia e construindo autoestima. É importante ressaltar que a Psicologia não tem como foco apenas as dificuldades que se apresentam, mas também identifica e reforça as potencialidades da criança e do adolescente”.
