Quando a neurociência ajuda o cérebro a reaprender

neurociência ajuda o cérebro a reaprenderDescubra como a Neuromodulação Não Invasiva pode aprimorar o processo de aprendizagem

A neuromodulação não invasiva é uma técnica moderna da neurociência aplicada que utiliza estímulos físicos de baixa intensidade para modular a atividade do sistema nervoso central. Entre as modalidades mais utilizadas está a estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS – transcranial Direct Current Stimulation), na qual uma corrente elétrica de baixa intensidade é aplicada no couro cabeludo por meio de eletrodos posicionados em áreas específicas do cérebro.
Essa corrente é indolor, praticamente imperceptível e atua modificando o potencial de membrana dos neurônios, podendo facilitar conexões cerebrais. Dessa forma, a técnica pode estimular, inibir ou modular circuitos neurais, favorecendo processos de plasticidade cerebral, mecanismo fundamental para aprendizagem, recuperação funcional e reorganização do cérebro após lesões.
A segurança da técnica é amplamente discutida na literatura científica. A partir de 2017 foram publicadas Diretrizes Antal et al. (2017) que reúne consenso internacional baseado em mais de 18 mil sessões de estimulação, estabelecendo parâmetros de segurança, aspectos éticos e aplicações clínicas da estimulação elétrica transcraniana de baixa intensidade, incluindo tDCS, tACS. Outras diretrizes importantes, como as de Lefaucheur et al. (2017) e Fregni et al. (2020), apresentam recomendações baseadas em evidências para o uso terapêutico da neuromodulação em diferentes condições neurológicas e psiquiátricas.

No Brasil, a utilização dessas técnicas pelo fisioterapeuta é regulamentada pela Resolução COFFITO nº 554, de 1º de julho de 2022, que reconhece a aplicação da estimulação elétrica e magnética não invasiva do sistema nervoso central e periférico, desde que realizada por profissionais com formação específica e habilitação profissional.

A Fisioterapeuta Dra. Maura Nogueira Cobra, que é habilitada em Estimulação Elétrica e Magnética Não Invasiva do Sistema Nervoso Central e Periférico, Especialista em Fisioterapia Intensiva Neonatal e Doutora em Ciências da Educação, explica como é feita essa abordagem. “Durante a aplicação, os eletrodos são posicionados no couro cabeludo de acordo com o sistema internacional 10–20 do eletroencefalograma (EEG), método utilizado na neurofisiologia para localizar regiões cerebrais de interesse. Entre as áreas frequentemente moduladas estão o córtex motor, o cerebelo, o córtex pré-frontal dorsolateral direito e esquerdo e a área motora suplementar, de acordo com o objetivo terapêutico. Em algumas situações, também pode ser utilizada a estimulação transmedular, por meio de eletrodos posicionados na coluna vertebral”.

As aplicações da neuromodulação abrangem diferentes campos da saúde. Estudos apontam benefícios em doenças neurológicas, como doença de Parkinson, Alzheimer, enxaqueca e fibromialgia; em processos de reabilitação neurológica, como recuperação após acidente vascular cerebral (AVC) e reabilitação motora; além do manejo de dor crônica.

Outro campo em expansão envolve condições relacionadas ao neurodesenvolvimento. “A técnica tem sido estudada em condições como paralisia cerebral, transtorno do espectro autista (TEA), transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e em transtornos de aprendizagem, com o objetivo de favorecer funções cognitivas como atenção, memória, planejamento e controle executivo, sempre associada a programas de reabilitação e estimulação cognitiva”, destaca Dra. Maura.

Além do campo clínico, a neuromodulação tornou-se conhecida também no meio esportivo e acadêmico pelo conceito de Brain Enhancement, ou seja, estratégias voltadas ao aprimoramento de funções cognitivas e motoras, com aplicações em desempenho esportivo, aprendizagem e treinamento cognitivo. Mas ressaltando sempre a importância de buscar o profissional devidamente especializado no segmento.

“Minha formação nessa área inclui capacitação clínica em Neuromodulação Não Invasiva realizada em São Paulo com a equipe Neuromodulação em Foco, além de pós-graduação em neuromodulação, atendendo aos critérios de formação exigidos pelas normas profissionais vigentes e habilitação reconhecida pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional para aplicação dessas técnicas”, conta a especialista. “Mais do que uma tecnologia inovadora, a neuromodulação representa um avanço na forma como compreendemos e estimulamos o cérebro humano. Quando aplicada com critérios clínicos, conhecimento científico e responsabilidade profissional, ela amplia as possibilidades da reabilitação neurológica e da estimulação cognitiva, contribuindo para que o cérebro possa reorganizar funções, recuperar habilidades e continuar aprendendo ao longo da vida”.

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