Como a nova pirâmide alimentar impacta sua vida?

Como a nova pirâmide alimentar impacta sua vida?Nutricionista Dra. Ana Rosa Zaro explica as diretrizes alimentares que viraram debate mundial

Quem já procurou seguir uma dieta e fez acompanhamento com um nutricionista com certeza já se deparou com a clássica imagem da pirâmide alimentar, que hierarquiza diferentes grupos de alimentos conforme sua importância para a alimentação. Agora, no entanto, essa realidade mudou. No começo de janeiro, os EUA lançaram suas novas diretrizes alimentares e inverteram a clássica representação visual da pirâmide, que passou a dar maior destaque a proteínas e “comida de verdade”, incluindo frutas e verduras, enquanto reduziu a presença de grãos integrais, historicamente colocados na base da alimentação.

Como a nova pirâmide alimentar impacta sua vida?A repercussão, claro, foi imediata. As novas diretrizes rapidamente suscitaram debates e controvérsias na internet, especialmente por priorizar o consumo de proteína, que ainda divide a opinião dos especialistas. Mas, afinal de contas, o que realmente muda no cardápio da população como um todo? Quem segue um plano alimentar já estabelecido tem motivos para se preocupar com a nova pirâmide? Para responder a essas perguntas, nossa reportagem ouviu a nutricionista Dra. Ana Rosa Zaro, que é especialista em saúde intestinal e metabolismo.
Ela começa destacando a principal mudança observada na nova pirâmide. “A diretriz atual prioriza, em primeiro lugar, vegetais, frutas e proteínas de qualidade como carne, frango, ovos e peixe. Em segundo, laticínios naturais e gorduras boas: coco, abacate, azeite e oleaginosas. E, por último, grãos integrais (não mais os refinados).

Ultraprocessados e doces devem ser evitados, assim como o álcool. Eles nem aparecem mais na tabela”, explicou.
Segundo a nutricionista, a nova diretriz prioriza comida real, fresca e minimamente processada, com forte redução de produtos industrializados. Outro ponto é a mudança na forma como as gorduras são tratadas, deixando de ocupar um lugar apenas secundário para serem incorporadas como parte de uma alimentação equilibrada. Mas o importante, mesmo, é observar as necessidades individuais de cada paciente, reforçando assim a relevância do acompanhamento profissional. “Isso é algo que preconizo na minha prática clínica desde sempre”, ressalta.

De acordo com Dra. Ana Rosa Zaro, tudo isso começa com a análise dos hábitos alimentares de cada paciente, sobretudo quanto ao grau de processamento dos alimentos. “É preciso considerar a diferença entre comida de verdade e ultraprocessados, a frequência de preparações caseiras, o consumo real de frutas, legumes, verduras e fibras, além da relação com a comida, que abrange beliscos, o ato de comer no automático e uso emocional. Esse olhar também inclui o contexto de vida, como tempo disponível, estresse, sono e ambiente alimentar. A pergunta-chave deixa de ser ‘quanto você come?’ e passa a ser ‘de onde vem o que você come?’”.

O importante, agora, é ensinar o público a realizar trocas inteligentes, priorizando a qualidade da alimentação antes mesmo de se pensar em quantidade. “Também é fundamental orientar o paciente a montar refeições tendo vegetais como base, proteínas de boa qualidade, carboidratos minimamente processados e gorduras naturais. A receita é simples: menos terrorismo nutricional e mais educação alimentar na prática”.