
Dra. Juliana Miotto esclarece dúvidas importantes sobre o tema — incluindo o uso de Minoxidil
Você já passou por um período de queda de cabelo e recorreu ao TikTok em busca de soluções rápidas? Ou foi até a farmácia e escolheu o shampoo antiqueda mais caro da prateleira? Embora pareçam estratégias simples, elas raramente resolvem o problema de forma definitiva. A queda de cabelo tem diversas causas e, muitas vezes, exige investigação médica. Nessas situações, consultar um dermatologista é fundamental para evitar tratamentos inadequados que circulam na internet, como o uso indiscriminado do Minoxidil.
Para se ter uma ideia, as buscas por esse medicamento cresceram mais de 200% nas primeiras semanas de dezembro, segundo dados do Google Trends. Apesar da popularidade, poucos sabem que o Minoxidil não foi criado para tratar queda de cabelo — e que seu uso deve ser cuidadosamente orientado. É o que explica a médica dermatologista Dra. Juliana Miotto.
“O Minoxidil foi desenvolvido originalmente para o tratamento da hipertensão arterial (pressão alta), e seus efeitos colaterais são bem conhecidos nesse contexto. Só mais tarde, esse medicamento passou a ser prescrito em doses baixas como parte do tratamento de diferentes tipos de alopecia. Mas tudo isso exige avaliação individualizada e diagnóstico preciso, feitos pelo dermatologista”.
A queda de cabelo, segundo a médica, é uma queixa frequente em mulheres de várias idades. Como as causas são diversas — desde predisposição genética até fatores hormonais, emocionais, nutricionais ou pós-infecção — identificar corretamente o tipo de alopecia é o primeiro passo para um tratamento eficaz.
A alopecia androgenética, também conhecida como calvície feminina, atinge uma em cada cinco mulheres, de acordo com a Academia Americana de Dermatologia. O seu tratamento pode incluir: Minoxidil tópico e/ou oral, medicações com efeito antiandrogênico, terapias a laser de baixa potência, microagulhamento, terapias injetáveis como o PRP (plasma rico em plaquetas), microagulhamento capilar, terapias regenerativas como exossomos e, em alguns casos, transplante capilar. “A escolha do melhor tratamento depende do tipo de alopecia, da intensidade da queda e das características individuais de cada paciente. A avaliação caso a caso é indispensável”, destaca a médica.
Por fim, Dra. Juliana reforça três orientações simples — porém essenciais — para que as mulheres lidem com a queda de cabelo com mais segurança e informação. Confira!
1) Produtos capilares – Cuidado com as promessas de marketing. Shampoos podem, sim, ajudar a manter o couro cabeludo limpo e equilibrado, evitando irritações que podem agravar a queda. Porém, eles não tratam a queda dos cabelos. O shampoo age na superfície dos fios, e quando pensamos em queda, o problema está mais interno.
O mesmo vale para as famosas gominhas para os cabelos: elas só têm utilidade quando há uma deficiência nutricional comprovada, o que não é a realidade em muitas das pessoas com queda ou calvície. Antes de investir em qualquer produto ou suplemento, é importante conversar com um dermatologista para receber indicação adequada e baseada em evidências.
2) Lavagem dos cabelos – A frequência ideal de lavagem varia conforme o tipo de cabelo, o couro cabeludo e o estilo de vida de cada pessoa. Uma dúvida comum é se lavar o cabelo todos os dias aumenta a queda — e a resposta é: não aumenta. Os fios que caem durante o banho já estavam soltos e iriam se desprender naturalmente ao longo do dia. A lavagem apenas facilita que isso aconteça de uma vez, dando a impressão de maior perda.
Então, não use essa desculpa para não lavar os cabelos com frequência! A falta de lavagem pode sim intensificar uma queda capilar.
3) Hábitos do dia a dia – Usar secador não danifica os fios quando feito de forma adequada: é importante evitar temperaturas muito altas sem proteção térmica. Outro mito frequente envolve a creatina — mas até o momento não existe evidência científica que relacione o uso do suplemento à calvície. Além disso, manter uma alimentação equilibrada e controlar o estresse são medidas essenciais, pois ambos influenciam diretamente a saúde dos cabelos e podem impactar a intensidade da queda.
A queda de cabelo é um fenômeno comum, mas que carrega grande impacto emocional e exige cuidado individualizado. Em meio a tantas informações que circulam nas redes sociais, é natural que surjam dúvidas — e justamente por isso o acompanhamento com um dermatologista é tão importante. Diagnóstico correto, tratamento baseado em evidências e orientações personalizadas fazem toda a diferença no resultado.
Cuidar dos cabelos não é apenas uma questão estética, mas também de saúde. Identificar precocemente as alterações, entender os hábitos que influenciam o couro cabeludo e saber quando buscar ajuda são passos fundamentais para recuperar a confiança e o bem-estar.
Quando o assunto é queda de cabelo, informação de qualidade é o primeiro passo para um tratamento eficaz — e a orientação médica é sempre o caminho mais seguro.
