Mulheres ultrapassam a marca histórica e já representam mais da metade dos médicos no país
Aquilo que antes era apenas uma percepção cotidiana agora ganha respaldo estatístico: as mulheres estão se tornando, de fato, a maioria entre os médicos. No final do mês passado, por exemplo, o estado de São Paulo registrou pela primeira vez na história um maior número de mulheres entre os médicos ativos, representando 52% dos profissionais. Os números obtidos pela Demografia Médica do Estado de São Paulo 2026 revelam, assim, como elas passaram a dominar um mercado historicamente masculino, com aumento expressivo em áreas como Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia e Medicina de Família e Comunidade.
A tendência, contudo, não fica restrita a São Paulo. O último censo realizado pelo Ministério da Saúde já apontava que o Brasil vinha atravessando uma inflexão histórica, com o número de médicas atingindo quase 51% do mercado. A projeção do órgão é que, até 2035, 55,7% dos profissionais no país sejam mulheres. O fenômeno, inclusive, também não é exclusivo do Brasil, pois há uma tendência mundial de aumento da participação feminina na medicina, atrelada ao maior acesso das mulheres ao ensino superior e às carreiras de saúde.
Segundo a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), a presença das mulheres na medicina desempenha um papel fundamental na promoção da diversidade e na ampliação de perspectivas. “Ao longo dos anos, as mulheres médicas têm demonstrado competência, empatia e dedicação excepcionais, enriquecendo o campo com suas habilidades únicas e perspectivas inovadoras. Além de oferecer cuidados médicos de alta qualidade, as mulheres na medicina servem como modelos inspiradores para as futuras gerações, incentivando mais jovens a buscar carreiras no setor”, declarou a entidade.
Segundo a FEBRASGO, a diversidade de experiências e conhecimentos que as profissionais femininas trazem à medicina não apenas aprimora o atendimento aos pacientes, mas também contribui para uma abordagem mais holística e inclusiva na compreensão e resolução dos desafios médicos contemporâneos. “Reconhecer e valorizar a importância das mulheres na medicina é essencial para o avanço contínuo do setor e para a construção de um ambiente mais justo e representativo”.
Outra entidade que também já lançou luz sobre o fenômeno foi a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que tem uma página intitulada “Mulher Pediatra” e vem realizando campanhas que valorizam a presença feminina na pediatria, reconhecendo que “os tempos mudaram” e há uma presença maior de mulheres na profissão. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), por sua vez, também já ressaltou a presença delas na área, destacando que, de cada 10 dermatologistas brasileiros, oito são mulheres.
No fim, esse movimento representa não só uma mudança numérica, mas uma transformação profunda na medicina brasileira. As mulheres vêm ocupando seu espaço com competência, sensibilidade e grande capacidade de entrega, renovando práticas, ampliando olhares e aprimorando a qualidade do cuidado. Mais do que estatística, trata-se de reconhecer a força de uma geração que rompe barreiras, abre caminhos e inspira tantas outras a seguir adiante. É a confirmação de que, quando elas avançam, toda a medicina avança junto.
