
Com a órtese craniana, é possível corrigir o formato da cabeça do bebê de forma segura e eficaz
Quando os pais recebem a recomendação de usar uma órtese craniana — o famoso “capacete ortopédico” — é comum surgirem dúvidas e até um certo receio. Afinal, ninguém imagina seu bebê usando um dispositivo assim nos primeiros meses de vida, não é mesmo? Mas a verdade é que esse tratamento é muito mais simples, confortável e seguro do que parece, além de ser uma das formas mais eficazes de corrigir assimetrias mais acentuadas.
Quem nos fala sobre o assunto é o Fisioterapeuta Osteopata Dr. Rafael Malafaia Quintan, da Osteoclinic Kids, que é referência nesse segmento em nossa região. Segundo ele, nos primeiros meses, o crânio do bebê cresce rapidamente e ainda é muito maleável, o que é ótimo para o desenvolvimento – mas também significa que, quando há regiões mais achatadas, elas podem permanecer assim se não forem estimuladas a crescer de forma equilibrada. “A órtese craniana atua justamente guiando esse crescimento natural, sem apertar, sem machucar e sem causar dor. Ela apenas direciona o crescimento da cabeça para as áreas que precisam de mais espaço”, afirmou.
Quando o capacete é indicado?
Segundo Dr. Rafael, o capacete ortopédico costuma ser recomendado quando a assimetria é um pouco mais acentuada, o reposicionamento e a fisioterapia não trouxeram melhora suficiente e o bebê está na idade ideal para remodelar o crânio — geralmente entre 4 e 8 meses. Quanto mais cedo é iniciado, maior é o potencial de bons resultados, já que o crânio cresce mais rápido nesse período. “O tratamento começa com uma avaliação detalhada, muitas vezes usando um escaneamento 3D para medir o formato da cabeça. A partir daí, o capacete é feito sob medida, bem leve, com áreas acolchoadas e espaços específicos para permitir que a cabeça cresça onde precisa. Nos primeiros dias, o bebê usa por curtos períodos para se adaptar. Em pouco tempo, chega ao uso recomendado: 20 a 23 horas por dia. Pode parecer muito, mas a maioria das crianças lida muito bem com essa rotina — muitas até esquecem que estão usando!”, lembra o especialista.
O capacete incomoda?
Uma preocupação comum é se a órtese causa dor ou desconforto. E a resposta é: não. “O bebê não sente dor porque o capacete não pressiona com força; ele apenas direciona o crescimento”, diz Dr. Rafael. “É normal aparecer alguma vermelhidão leve, parecido com quando tiramos um chinelo ou relógio após horas de uso, mas tudo isso é acompanhado nos retornos periódicos. Em média, o tratamento dura de 3 a 6 meses. Bebês mais novos tendem a responder mais rápido, porque seu crânio cresce mais depressa. Nos acompanhamentos, o profissional ajusta o capacete conforme o bebê cresce, garantindo conforto e eficiência”.
O que os pais podem esperar do resultado?
Quando iniciado no momento certo e com boa adesão ao uso, os resultados geralmente são muito positivos, como ressalta Dr. Rafael. “A evolução costuma aparecer nas primeiras semanas, e o objetivo é alcançar uma simetria considerada saudável para a idade. Mais importante que isso: a órtese não afeta marcos motores, não atrapalha o sono e não interfere nas descobertas do bebê. Ele continua brincando, rolando, sorrindo e se desenvolvendo normalmente”.
No fim das contas, o tratamento com órtese craniana é uma ferramenta que oferece aos pais a chance de intervir no momento certo, aproveitando o período de maior crescimento para corrigir algo que dificilmente mudaria sozinho. “E embora o processo envolva disciplina, especialmente na rotina de uso, é também uma fase temporária, que traz benefícios duradouros. Com informação, acompanhamento profissional e apoio, as famílias costumam passar por essa jornada com confiança — e, meses depois, olham para trás com a certeza de que fizeram o melhor para o desenvolvimento do seu bebê”.
