Pesquisa e critérios médicos ajudam a entender quando há, de fato, motivo de preocupação
Micropênis. A palavra assusta, causa desconforto e, para muitos pais, surge como um fantasma silencioso durante o desenvolvimento dos filhos. Basta uma comparação apressada, um comentário mal colocado ou um vídeo nas redes sociais para que a dúvida se instale: será que está tudo normal? Será que o tamanho está adequado para a idade? Essa preocupação, embora muitas vezes vivida em silêncio, é mais comum do que se imagina e não é, por si só, infundada.
Foi a partir dessa inquietação que especialistas decidiram investigar como pais e responsáveis avaliam o tamanho peniano de seus filhos e o quanto essa percepção corresponde à avaliação médica objetiva. O fruto desse trabalho pôde ser visto na 40ª edição do Congresso Brasileiro de Urologia, realizado entre os dias 15 e 18 de novembro em Florianópolis, onde o Departamento de Uropediatra da SBU divulgou os resultados preliminares de uma pesquisa inédita sobre a percepção dos pais sobre o tamanho peniano dos filhos.
Segundo divulgou o portal da entidade, participaram da pesquisa 99 pacientes/familiares. No atendimento, foi pedido ao responsável que medisse o genital da criança e em seguida o procedimento era realizado pelo médico. Em médias aproximadas, a medida realizada pelo responsável foi de 3,64 cm, a do médico, 6,18 cm, o que corresponde a uma diferença em torno de – 2,63 cm.
Segundo os Drs. Marcos Machado, coordenador do departamento, e Veridiana Andrioli, a ideia de realizar a pesquisa surgiu devido à epidemia de tratamentos hormonais indevidos em crianças, propagada principalmente nas redes sociais. “Entre as conclusões do nosso estudo, podemos ressaltar que os responsáveis subestimam de forma significativa tanto o comprimento quanto o diâmetro/circunferência do pênis em relação ao exame objetivo do médico”, destacou.
Durante o atendimento, o responsável também foi indagado sobre como avaliavam o tamanho do pênis do filho em comparação a uma criança da mesma idade; 48% responderam considerar normal, 24% achavam menor e 22% maior (5% não opinaram). Apesar de 24% acharem o tamanho menor, não foi diagnosticado nenhum caso de micropênis.
Mas como, então, identificar o problema de forma correta?
Do ponto de vista médico, o chamado micropênis não é definido por impressões subjetivas. Trata-se de um pênis normalmente formado, cujo comprimento esticado se encontra significativamente abaixo da média esperada para a idade, segundo critérios técnicos bem estabelecidos. A avaliação correta exige medição padronizada, feita desde a inserção na região pubiana até a ponta da glande, com atenção especial à presença de gordura suprapúbica, comum em bebês e crianças.
Esses parâmetros variam conforme a faixa etária e ajudam a diferenciar situações que frequentemente geram confusão entre os pais. Um exemplo é o pênis embutido, que apresenta comprimento normal quando avaliado adequadamente, e que não deve ser confundido com os casos raros em que há, de fato, alteração no desenvolvimento. Quando há suspeita clínica, a investigação envolve exames específicos para identificar possíveis alterações hormonais ou genéticas, sempre sob acompanhamento especializado. Na dúvida, o mais indicado é procurar um urologista de confiança e evitar informações sem respaldo médico.
