A psicóloga Noísa Rangel fala ao Mania sobre o tema que aflige tanta gente
Fim de ano é, para muitos, sinônimo de paz, união e celebração. Porém, nem todos vivenciam esse período com alegria. Para algumas pessoas, o Natal e o Réveillon despertam um profundo sentimento de solidão, vazio ou desconexão — um quadro conhecido como “Síndrome de Fim de Ano”, que surge do contraste entre a expectativa e a realidade.
Segundo a psicóloga Noísa Rangel, a idealização das festas como momentos felizes pode se tornar gatilho para tristeza, melancolia e até quadros depressivos. “Ao ver os outros comemorando, seja em encontros familiares ou pelas redes sociais, muitos se sentem ainda mais isolados. Soma-se a isso a pressão social para estar feliz, o que torna o sofrimento ainda mais silencioso”.

Mas por que alguns não gostam das festas de fim de ano? Entre os motivos mais comuns, a psicóloga destaca: “Distância física ou emocional da família; conflitos familiares; luto por pessoas que se foram; doenças na família; traumas vividos nessa época; recordações negativas associadas ao período. Muitas feridas emocionais reaparecem em dezembro — mesmo quando a pessoa não compreende de imediato o motivo. Uma paciente relatou não gostar do Natal sem saber o porquê. Ao investigar, descobrimos que sua avó materna morreu quando sua mãe estava grávida, e o avô faleceu quando ela tinha apenas um ano — ambos no período natalino. Só após reprocessar esses eventos ela conseguiu ressignificar o Natal. Também é comum que pessoas com histórico familiar disfuncional tenham dificuldade em lidar com essa época. Situações marcadas por alcoolismo, dependência química, violência doméstica ou pais narcisistas tornam o convívio mais doloroso do que comemorativo”.
Noísa também dá algumas dicas para lidar com a sensação de vazio no fim de ano:
• Pratique a autocompaixão: trate-se com a mesma bondade que ofereceria a um amigo querido
• Evite cobranças excessivas: sua história é única — não compare sua vida à dos outros
• Aproxime-se de quem faz bem: família ou amigos, o importante é sentir acolhimento
• Busque a luz do sol: atividades ao ar livre ajudam a regular o humor
• Reduza o tempo nas redes sociais: evite comparações que intensificam a solidão
• Trace metas possíveis: objetivos inalcançáveis geram frustração
• Procure ajuda profissional: se a tristeza é persistente, psicólogos e psiquiatras podem ajudar
Sentir incômodo, tristeza ou estranhamento nessa época é comum, mas não deve ser ignorado. “Muitas vezes, esse sentimento está ligado a eventos do passado — sejam eles recentes ou antigos. Buscar apoio psicológico é essencial para compreender essas emoções, elaborar memórias dolorosas e aprender a lidar com o que emerge nesse período. Cuidar da saúde emocional é também construir qualidade de vida, não só em dezembro, mas ao longo de todo o ano”.
