Quem já sofreu uma lesão no menisco sabe como esse tipo de problema pode causar dor e limitar os movimentos do joelho. Durante muito tempo, um grande número de pacientes necessitava recorrer a cirurgias invasivas, que acabavam retirando a parte lesionada da estrutura. Mas uma técnica desenvolvida recentemente por um médico do Ceará promete mudar de vez essa realidade. O método permite reparar o menisco e preservar sua função natural, reduzindo o risco de artrose no futuro.
O responsável pela inovação é o médico ortopedista Dr. Jonatas Brito, especialista em cirurgia do joelho e professor universitário da UFC e Unichristus. Ele nos concedeu uma entrevista para falar sobre o tratamento, que vem chamando a atenção da comunidade científica internacional, além de ampliar as possibilidades de cuidado para pacientes com esse tipo de lesão. Confira!
Mania de Saúde – As lesões de menisco são frequentes na população? Em quais perfis de pacientes elas costumam ocorrer e de que forma a técnica pode beneficiar esses casos?
Dr. Jonatas Brito – As lesões de menisco são comuns no consultório e se dividem em dois grupos. Temos o perfil jovem e atletas, que geralmente sofrem uma torção ou trauma durante a atividade física, e o perfil de mulheres acima dos 40 ou 50 anos, onde o tecido meniscal apresenta um desgaste natural pelo tempo ou, por falta de fortalecimento direcionado, acaba ocasionando a lesão. O grande benefício das técnicas atuais é que não olho para o menisco como algo que precisa ser retirado; o meu maior objetivo como ortopedista é sempre recuperar. Salvar o menisco para prevenir o avanço da artrose. Ao realizar a sutura (o reparo) em vez da remoção ou “raspagem”, como se falava antigamente, mantemos o amortecedor natural do joelho, o que é essencial para evitar o surgimento da artrose e também para evitar que o paciente passe por uma cirurgia futuramente.
Mania de Saúde – Quais são as diferenças entre essa abordagem e as cirurgias convencionais?
Dr. Jonatas Brito – A cirurgia “convencional” de menisco, chamada de meniscectomia, focava em remover a parte lesionada para tirar a dor de imediato. O problema é que, retirando um pedaço do menisco, o joelho perde uma parte muito importante, que faz o amortecimento da articulação. A abordagem que utilizo hoje é totalmente o contrário: a preservação do menisco. Usamos dispositivos de fixação muito precisos e fios de alta resistência para costurar o menisco de volta na posição original. Em vez de uma solução rápida, que era retirar e que pode trazer prejuízos para o paciente a curto e longo prazo, priorizamos manter o menisco para que o paciente continue ativo e funcional por muito mais tempo.
Mania de Saúde – O método já recebeu reconhecimento internacional. Onde a técnica já está sendo aplicada e como você enxerga essa conquista?
Dr. Jonatas Brito – Esse método já é o padrão-ouro em grandes centros de referência, como nos Estados Unidos e na Europa. Ter esse reconhecimento de uma técnica genuinamente cearense me faz perceber o meu maior propósito na medicina. Vejo essa conquista não como um título pessoal, mas como uma vitória para meus pacientes e para muitas outras pessoas que, a partir dessa técnica, vão voltar às suas rotinas sem dor e sem limitações. Saber que a técnica cearense é validada internacionalmente traz a tranquilidade de que estamos avançando com um tratamento baseado em evidências científicas, mas principalmente na recuperação funcional. É gratificante saber que posso ajudar cada vez mais pessoas.
