Nos EUA, nova terapia para libido feminina chama atenção de especialistas
A falta de libido é uma condição que costuma afetar muitos indivíduos no processo de envelhecimento, provocando um impacto direto na vida afetiva e na autoestima. Para mulheres que vivenciam esse desafio, no entanto, um medicamento recentemente aprovado nos EUA pode ajudar a melhorar essa condição, já sendo popularmente chamado de “Viagra feminino”.
Trata-se do Addyi (flibanserina), que foi aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA), para tratar a baixa libido em mulheres pós-menopausa com menos de 65 anos. Até então, ele era autorizado apenas para mulheres na pré-menopausa, apesar de já ter sido testado em faixas etárias mais amplas.
Segundo a entidade americana, a decisão se baseou em estudos clínicos que demonstraram uma melhora no desejo sexual e no número de eventos sexuais satisfatórios. Nos Estados Unidos, a dose recomendada é de 100 mg por via oral, administrada à noite. O uso noturno se deve ao risco de hipotensão e sonolência, que podem ser agravados caso o medicamento seja ingerido durante o dia.
No Brasil, a flibanserina ainda não possui regulação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), impedindo assim sua comercialização. Ainda assim, sua recente aprovação nos Estados Unidos despertou interesse de mulheres e especialistas no país, ampliando o debate sobre avanços terapêuticos nessa área.
A flibanserina faz parte do grupo dos medicamentos moduladores do sistema serotoninérgico, que atuam alterando a concentração de neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina no cérebro. Essa modulação promove a reorganização de circuitos neurais relacionados ao desejo sexual, o que pode resultar no aumento da libido. Daí o medicamento ter recebido a alcunha de “Viagra feminino”.
Mas, como destacou um informe publicado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, a flibanserina difere de forma significativa do citrato de sildenafila, comercializado com o nome “Viagra”. Isso porque, enquanto a flibanserina age no sistema nervoso central, a sildenafila atua predominantemente no sistema vascular periférico, promovendo o aumento do fluxo sanguíneo para os órgãos genitais e facilitando a resposta física à estimulação sexual. Na prática, isso significa que o efeito da flibanserina não é imediato nem mecânico. O fármaco busca influenciar, de forma gradual, os processos cerebrais envolvidos no desejo sexual, sem provocar, necessariamente, excitação ou resposta sexual automática após a ingestão.
Como informou a instituição, a principal indicação clínica da flibanserina é o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH), que se caracteriza pela redução persistente da libido, estando associado a sofrimento emocional e impacto na qualidade de vida. O quadro pode envolver tanto diminuição da excitação subjetiva quanto redução da resposta genital à estimulação sexual. O avanço de novos medicamentos representa, assim, um passo importante para ampliar as possibilidades de cuidado, proporcionando mais qualidade de vida a essas pacientes.
